Ai... que saudade que dá

 


Ai... que saudade       que dá

Saudade, essa malvada. Presença invisível, lembrança de bons momentos, registro emocional de vínculos e memórias. Palavra típica da língua portuguesa, dizem que sem tradução objetiva para outros povos.

Escrevo sobre saudade porque a amiga Cristina Gilberti, valorosa voluntária de tantos movimentos, lembrou ao grupo que 30 de janeiro é reservado à sua celebração. E ainda arrematou com dois expoentes da nossa música — Vinicius de Moraes e Toquinho — interpretando Onde Anda Você:

“E por falar em paixão, em razão de viver,

você bem que poderia me aparecer,

nesses mesmos lugares,

nas noites, nos bares…

onde anda você?”

Fantástico.

É gostoso falar de saudade. Porque dá saudade.

Para muitos, ela logo evoca pais, mães, avós, filhos, amigos que já se foram. “A saudade eterniza a presença de quem partiu.” Foram tantos momentos lado a lado, partilhas de rotinas, de alegrias e dificuldades dessa construção chamada vida, consolidando vínculos interrompidos, quase sempre, de forma inesperada pela morte. Fica a saudade — uma grande saudade — de quem amamos e partiu antes de nós. Sim, a saudade eterniza a presença de quem se foi.

Manusear um álbum de fotografias — daqueles de verdade, imagens reveladas em papel e coladas com cuidado — costuma ser um ritual de saudades. Não apenas de quem partiu, mas também dos próprios momentos vividos. Nascimentos, aniversários, casamentos, passeios, festas, o primeiro carro, a namorada, o batizado, a crisma. Fragmentos de vida que despertam um olhar de carinho para as pessoas reunidas ali, cúmplices de instantes de enlevo, ainda que fugazes, gravados para sempre no coração.

Há também a saudade de pessoas que hoje estão longe: em outra cidade, outro Estado, outro país. “Saudade é a presença invisível de quem amamos, o preço por termos vivido momentos inesquecíveis e o amor que aprendeu a esperar.”

Ela se manifesta como nostalgia: arquivos de sons, cheiros e cenas que insistem em voltar. E é saudável expressar esse sentimento. Dizer ao outro, sem rodeios: “estou com saudades de você, das nossas conversas”. É um gesto de reconexão, uma atitude profundamente humana.

Por vezes, porém, a saudade arde e dói. Há quem sofra — uma dor amorosa — por não aceitar que o passado não retorna. É preciso permitir que a saudade se transforme: de uma “dura espera” para uma “lembrança serena”. O tempo costuma cuidar disso, embora, em alguns casos, sejam necessárias intervenções, escutas, terapias.

Saudade é sinal de amor. É memória de bons momentos. É desejo — ainda que utópico — de retorno. Chico Xavier dizia que “a saudade não é sinal de fraqueza, mas de amor que continua”.

Todos nós gostamos de sentir saudades, embora elas tragam, às vezes, certo desconforto. Que quase sempre se dissipa com a aceitação.

O sentimento de saudade também ecoa nas Escrituras. Em Filipenses 1:8, lemos: “Deus é minha testemunha de como tenho saudade de todos vocês, com a profunda afeição de Cristo Jesus.”

E você, prezado leitor: costuma ser levado facilmente pelas saudades ou deixa que a rotina as atropele?

Celso Gagliardo

Profissional de Recursos Humanos e Gestão | Jornalista

Crônica para o blog

celsogagliardo.blogspot.com

31 jan 2026

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