O sebo, o tempo e um pouco de prosa
O sebo, o tempo e um pouco de prosa — Celso Gagliardo — Neste século XXI de extraordinário avanço tecnológico, a gente se depara com algumas atividades típicas do passado que persistem, teimosamente. É o caso dos chamados “sebos”, essas livrarias que compram, vendem ou trocam livros usados e, às vezes, materiais antigos. Algumas se especializam na comercialização de obras raras e seminovas, a preços acessíveis. Com o valor de um lançamento em livraria de shopping, o leitor consegue adquirir até três títulos em um sebo — inclusive online. E por que o estranho nome “sebo” para uma livraria de usados? Diz-se que vem do latim sebum, que quer dizer “gordura”. A ideia é que as obras fiquem “engorduradas” pelo manuseio constante — uma marca do tempo e das mãos que por elas passaram. Nas lojas físicas dos sebos, especialmente nas grandes cidades, é comum nos depararmos com pessoas garimpando edições esgotadas, literatura, gibis e livros técnicos...