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Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro

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Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro                      - Celso Gagliardo - É comum encontrarmos nas cidades, especialmente nas pequenas e médias, aquela senhora conhecida, fama conquistada pelas mãos habilidosas na preparação de doces, bolos, tortas, mousses.  Na bucólica cidade de São Pedro, quase ao pé da Serra do Itaqueri e suas cachoeiras, há também uma história assim, com sabor bem peculiar. Ela é vivida por dona Zuleika Coletta Caserta, sobrenome herdado do saudoso esposo, antigo investigador de polícia da cidade. Dona Zuleika sempre teve facilidade para fazer bolos e doces, pesquisando receitas e entregando tudo com capricho. Corria o ano de 1983. Ela conta que o começo não foi fácil: comprava aos poucos os ingredientes no mercado, chegando a emprestar panelas e geladeira. Essas mãos, aliada à disposição e vontade de trabalhar, foram decisivas para o crescimento do negócio. Os doces e bolos foram ganhando fam...

Do sofrimento do pianista à eternidade de uma canção

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Do sofrimento do pianista à eternidade de uma canção                                                        — Celso Gagliardo — Você já deve ter ouvido falar de Lupicínio Rodrigues (1914–1974). Gaúcho de Porto Alegre, foi um dos grandes nomes da música brasileira, autor de mais de uma centena de composições — sambas-canção, marchinhas e sucessos que atravessaram o tempo. Entre eles, até o hino do seu Grêmio, composto em 1953, daqueles que se cantam com o peito aberto, mesmo quando a vida aperta. Mas Lupicínio não escrevia apenas músicas. Escrevia estados de alma. Nos lembra Beni Galter, inveterado amante das canções de saudade, que a vida de Lupi era marcada por abandonos amorosos. Talvez por isso tenha se tornado um cronista das dores do coração — dessas que não fazem barulho, mas ecoam. É dele, aliás, a expressão “dor de cotovelo”: o sujeito enco...

Somos todos atores do mundo digital

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  Somos todos atores do mundo digital                    -  Celso Gagliardo - No passado, cidades menores contavam com um ou outro jornal — periódico, normalmente — e alguma emissora de rádio como principais meios de divulgação. Hoje, o mundo das comunicações se transformou de forma abrupta. A internet descortinou um horizonte amplo, permitindo que pessoas divulguem seus negócios, rotinas, alegrias, prosperidade — e até angústias compartilhadas. Houve uma democratização da informação. Muitos passaram a ter canais livres para receber e transmitir conteúdo, conectar-se. Somos agentes ambulantes de um mundo em que, a cada esquina, há uma câmera aberta, gravando. Sem os cuidados dos profissionais da comunicação, porém, muitas dessas informações chegam de forma parcial, entrecortada — e, pior, às vezes plantadas para enganar ou satirizar. Não por acaso, o termo fake news se popularizou. Vivemos tempos de teatro aberto. Estamos todos...

Matando saudades dos barbarenses

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●●●  Durante a nossa estada em Indaiatuba - final dos anos 80 - matava saudades de Santa Bárbara ouvindo rádio. E registrei o fato à epoca, com esta crônica:                            Matando saudades dos barbarenses                                                    - Celso Gagliardo -  De uns tempos para cá temos acompanhado, com contemplação, a programação matinal e domingueira da rádio FM Municipal, comandada por Márcio Rangel, antigo romiliano de grandes jornadas, nardiniano por pouco tempo, experiente radialista e “leão” veterano, colaborador da imprensa local. O programa, por si só agradável, traz páginas memoráveis do cancioneiro popular, numa viagem ao passado recente e longínquo, para refrescar a memória de uma população carente de paz, serenidade — exatamente pela con...
Galter, João — entre causos e papos                        - Celso Gagliardo - Há um fato quase inevitável na vida: reencontramos amigos — e até parentes distantes — nas despedidas. Foi assim no passamento do conhecido alfaiate barbarense João Duarte, em meados de abril. João era desses profissionais que carregam o ofício nas mãos. Trabalhando o tecido com precisão, entregava ternos de caimento impecável. Seguiu ativo até pouco antes de adoecer e dizia, com justo orgulho, que vestira muita gente — entre eles, nomes conhecidos, como o campeão mundial de natação Cesar Cielo. Entre cumprimentos carregados de memória e saudade, durante o velório, recebi a ligação de Beni Galter. A voz, embargada, denunciava o tamanho da perda. Procurou-me, certamente, após ler a nota que publicamos na rede social. Falou do amigo de juventude, companheiro de geração, e das afinidades que os uniam — especialmente o amor pela música, pela chamada “vel...

De suas mãos nasceram o equivalente a uma cidade

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  De suas mãos nasceram o equivalente a uma cidade                                                 — Celso Gagliardo — A internet, que tantas vezes nos dispersa e estimula a perda de tempo, também nos oferece insights preciosos. Dia desses, assisti, quase por acaso, a um recorte de podcast que marcou. Tinha a ver com a minha querida Santa Bárbara d’Oeste — e com uma de suas personagens especiais: a médica Maria Luisa Bignotto Cury. Procurei o amigo Bachin Júnior, conhecido homem das comunicações, que me facilitou as informações a partir de homenagem prestada pela Câmara Municipal à dra. Maria Luisa, durante as comemorações do Dia da Mulher, em 5 de março de 2024. Ele a indicou como uma das Mulheres Destaques daquele ano. Barbarense, caçula de sete irmãos, Maria Luisa é filha de José Bignotto e Isabel Teixeira Bignotto, ligados ao ramo têxtil. Desde muito peq...

UNACON: onde coragem e esperança caminham juntas

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UNACON: onde coragem e esperança caminham juntas                       — Celso Gagliardo — Os menos jovens se recordam do tempo em que a palavra câncer era evitada. Dizia-se “aquela doença”, ou reduzia-se tudo a um discreto “CA”. Hoje, embora o diagnóstico de um tumor maligno ainda assuste, já não carrega, necessariamente, o peso de uma sentença definitiva. Há caminhos, tratamentos e, muitas vezes, bons resultados. Por morar nas proximidades, chama a atenção o constante movimento de pessoas atendidas pela UNACON, em Americana. A dinâmica é tamanha que até o estacionamento da rua, e o passeio público, ao lado do Hospital, precisaram ser reorganizados. Chegam veículos de diversas cidades, trazendo pessoas em busca de atendimento em oncologia de alta complexidade. São mais de 40 municípios da região de Campinas, pacientes encaminhados via órgão regulador do Estado, o SIRESP. Ali, encontram tratamento e acolhimento. Cirurgias oncol...