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Ai... que saudade que dá

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  Ai... que saudade       que dá Saudade, essa malvada. Presença invisível, lembrança de bons momentos, registro emocional de vínculos e memórias. Palavra típica da língua portuguesa, dizem que sem tradução objetiva para outros povos. Escrevo sobre saudade porque a amiga Cristina Gilberti, valorosa voluntária de tantos movimentos, lembrou ao grupo que 30 de janeiro é reservado à sua celebração. E ainda arrematou com dois expoentes da nossa música — Vinicius de Moraes e Toquinho — interpretando Onde Anda Você: “E por falar em paixão, em razão de viver, você bem que poderia me aparecer, nesses mesmos lugares, nas noites, nos bares… onde anda você?” Fantástico. É gostoso falar de saudade. Porque dá saudade. Para muitos, ela logo evoca pais, mães, avós, filhos, amigos que já se foram. “A saudade eterniza a presença de quem partiu.” Foram tantos momentos lado a lado, partilhas de rotinas, de alegrias e dificuldades dessa construção chamada vida, consolidando vínculos...

J.J.Bellani, outra "quase unanimidade" barbarense

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  J. J. Bellani, outra “quase unanimidade” barbarense Todos nós temos virtudes e limitações, restrições e falhas. É da condição humana. Todavia, alguns são dotados de carisma — ou de um it factor, como dizem os americanos — e irradiam uma boa energia que abraça a todos que alcança. Tenho dito sempre, em tom de brincadeira séria, que essas pessoas são “quase unanimidade”. A unanimidade é utopia, não existe. Como bem observou Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. Aliás, existiu um Ser Superior e Divino que foi unanimidade — e acabou crucificado. Nesta semana, uma dessas “quase unanimidades”, o Angolini, ligou-nos para avisar: “Dia 30 de janeiro é o aniversário do Bellani.” E, na sequência, desfilou uma série de elogios ao moço barbarense, celebrando seus bem-vividos 71 aninhos. Conheço João José Bellani desde idos tempos. Sempre organizado, responsável diante dos compromissos que assume. Lembro-me de sua personalidade já pela letra. Escrevia para nós, no Jornal d’Oeste, a pág...

O Brasil em seus tempos de interrogação

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O Brasil em seus tempos de interrogação                                                                                      Longe de nós sermos críticos de um país tão iluminado. Sempre tive orgulho dessa gente trabalhadora, alegre, encantadora e resiliente — dessa capacidade quase infinita de cair e levantar, sem se cansar. Entretanto, nos últimos tempos, tornou-se impossível não refletir sobre os rumos da Nação diante de tantas notícias ruins, decepções e golpes perpetrados, capazes de afetar até o nosso humor, se não tomarmos cuidado. Com o volume de informações — verdadeiras e falsas — em circulação, é preciso discernir o que nos cabe daquilo que não nos pertence, sob pena de uma contaminação doentia, de um sofrimento em escala. Sempre acompanhei a vida pública, a políti...

São Paulo, 472 anos: braços elásticos e coração generoso

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São Paulo, 472 anos: braços elásticos e coração  generoso O dia 25 de janeiro consagra a conversão de São Paulo, apóstolo. E, por coincidência ou destino, celebra também o aniversário de uma das maiores cidades do mundo — a maior do hemisfério Sul. São 472 anos de fundação, história e movimento. Mas como definir São Paulo? Não cabe em um único termo. São Paulo não se explica: se sente. É convergência. É abrigo. É encontro de tantos que ali chegaram com uma mala de sonhos e encontraram trabalho, carreira, negócio, sucesso — e, muitas vezes, amor, família, permanência. Uma cidade que acolhe sem perguntar de onde se veio, apenas exige coragem para ficar. Sua grandiosidade, no entanto, também assusta. Há quem confesse ter evitado “ir para a capital” por receio das distâncias intermináveis, do trânsito caótico, da sensação de insegurança que, à primeira vista, a cidade parece emanar. São Paulo impõe respeito. Testa limites. Ainda assim, é nesse agrupamento gigantesco de quase 12 milhõe...

O velho Fusca e seu fascínio incontestável

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  O velho Fusca e seu incontestável fascínio                       – Celso Gagliardo – O que explica a indisfarçável paixão por aquele carrinho ovalado, que mais parece um besouro de metal? Motor modesto, econômico, limitado — e, ainda assim, capaz de despertar afetos profundos desde que começou a colorir ruas e estradas brasileiras, lá por 1959? O calendário do tempo puxou o assunto: 20 de janeiro é o Dia do Fusca. Poucos carros alcançaram tamanho prestígio popular a ponto de ganhar data comemorativa, virar personagem de filmes e ocupar lugar definitivo na história da indústria automobilística. Foram cerca de 3,3 milhões de unidades produzidas em São Bernardo do Campo e mais de 21 milhões espalhadas pelo mundo. Números que contam uma epopeia sobre rodas. Em tempos de poucas marcas e modelos em circulação, o Volkswagen Sedan — nome de batismo do Fusca — destacou-se pela mecânica simples e resistente, pela manutenção acessível ...

Zé Renato Pedroso, uma quase unanimidade

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  José Renato Pedroso, uma quase unanimidade                  - Celso Gagliardo – Costumo dizer, em tom de brincadeira e de verdade, que algumas pessoas ultrapassam o simples convívio social e se tornam personagens vivos da história de uma comunidade. São aquelas “quase unanimidades”: bem-quistas, queridas, capazes de juntar afetos como quem coleciona sorrisos ao longo dos anos. Zé Renato Pedroso é assim. O aniversariante de 7 de janeiro carrega consigo essa rara virtude de ser querido por muitos, respeitado por todos, lembrado com carinho. Sua história começa pequenina, entre balcões e frascos, na Pharmácia do pai, Waldomiro — uma das primeiras de Santa Bárbara d’Oeste. Mais do que um comércio, aquele espaço era ponto de encontro, território de ideias e conversas, onde a cidade ainda em formação ensaiava seus primeiros passos. Ali, entre receitas e prosas, pulsava o coração da Santa Bárbara de então. Dali saíram ideias que frutificaram...

O torcedor símbolo e essa paixão chamada futebol

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O Torcedor  Símbolo e essa paixão chamada futebol                        - Celso Gagliardo – Já fomos alvo de críticas por dedicar tempo ao futebol: assistir, analisar, discutir partidas — não apenas as do time do coração. Sou dos que acreditam que o futebol é mais do que um jogo. É paixão legítima, capaz de aliviar o peso do cotidiano, oferecendo respiros necessários e abstrações mentais saudáveis. Observo, naturalmente, o comportamento dos torcedores como um todo. Há os fanáticos, os ardorosos, aqueles que chegam a vender bens pessoais para viajar e acompanhar o time em jogos decisivos — ou nem tanto. Um fascínio difícil de explicar, que em alguns casos beira a irracionalidade. Mas é justamente aí que mora o mistério e a força dessa devoção. Entre milhares — nos grandes clubes, dezenas de milhares — sempre se destacam alguns. Pela fidelidade incansável, pela presença constante, pelo entusiasmo que não se apaga. São os c...