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Um vidro separa a vida que celebra da luta pela vida

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Entre a vida que celebra e a luta pela vida                                                                                                                  Em uma noite de sábado qualquer, entre mesas lotadas, música ao vivo e brindes de aniversários, pensei em como a vida pode ser generosa. Famílias reunidas, gente arrumada, amigos sorrindo, garçons indo e vindo com gentileza, comida farta, risadas espalhadas pelo salão. Havia ali uma celebração coletiva da existência, mesmo que ninguém percebesse isso conscientemente. Agradeci em silêncio ao Criador pela possibilidade de estar vivendo aquele momento simples e bonito. A minha posição favorecia observar outros ângulos. Através da parede de vidro do restaur...

Empreendedores se transformam em influenciadores sob o marketing digital

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Empreendedores se transformam em influenciadores sob o marketing digital                — Celso Gagliardo — Mesmo sem especialização na área, somos testemunhas privilegiadas de uma transformação impressionante na forma de comunicar e vender. Para quem viveu os tempos da tipografia, compondo páginas letra por letra, o universo digital ainda parece algo extraordinário. O marketing digital deixou de ser complemento para se tornar necessidade no comércio moderno, especialmente no varejo. Pela velocidade, alcance e baixo custo, passou a ocupar espaço central nas estratégias empresariais. Quem ignora essas ferramentas corre o risco de perder terreno para concorrentes que avançam rapidamente pelas redes sociais. E talvez a mudança mais curiosa esteja justamente nas pessoas. Empresários, comerciantes e funcionários antes discretos agora aparecem diariamente diante das câmeras mostrando produtos, serviços, bastidores e até momentos descontraídos do cotidia...

Entre paisagens e memórias, numa manhã em São Pedro

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Entre paisagens e memórias, numa manhã em São Pedro                 - Celso Luís Gagliardo - Circulando numa manhã gelada por São Pedro, observando ruas, praças, parques, avenidas e equipamentos urbanos, vamos sentindo o pulsar do município. Um pulsar pausado, sereno, distante da agitação das grandes metrópoles. E como definir São Pedro? Uma cidade de pouco mais de 40 mil habitantes, incrustada sob o encanto da Serra de Itaqueri, teve suas origens ainda no século XIX, impulsionada pelas fazendas de café e pela imigração italiana. Inicialmente chamada Fazenda Picadão, a localidade surgiu pelas mãos dos irmãos Teixeira de Barros, adquirentes da Sesmaria dos Pinheiros, sendo elevada à Freguesia em 1864. A cidade cresceu lentamente e tornou-se acolhedora — mansa em suas ruas tranquilas, impregnando o espaço com a qualidade de vida tão apregoada por aqueles que abandonam a correria dos grandes centros e encontram, nessa pequena-grande cidade, um refúgi...

Saudades da mãe, sentimento unânime

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  Saudades da mãe, sentimento unânime                  - Celso Gagliardo – Há muito apelo comercial na comemoração do Dia das Mães. Mas nem isso deforma a grandeza da data. Se ela é relevante para o consumo, é porque transmite um sentimento forte, uma conexão intensa e incomparável. Quando alguém pergunta a uma pessoa madura qual é sua maior saudade, a resposta quase invariável é: “da minha mãe”. A sociedade se organiza por famílias, e a mãe é presença constante e imprescindível — afinal, ela concebe, cria e administra um lar com todas as suas variáveis. E ainda consegue, muitas vezes — sobretudo nos tempos modernos — ser profissional atuante nos mais variados setores. Para dar conta de tudo, a mãe se utiliza da intuição feminina, a determinação de quem sabe que, se parar, “a casa cai”, e a resiliência de quem faz por amor — e isso é diferencial. Ninguém é mais polivalente do que a mãe, muitas vezes não apenas por talento, mas por pura n...

A magia da dança resiste ao tempo e conecta pessoas

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A magia da dança resiste ao tempo e conecta pessoas                        - Celso Gagliardo - A tecnologia tem proporcionado alcances inimagináveis. Quem tem olhos para ver encontra, nas telas, um número imenso de atrações — muitas das quais acabam nos fazendo desperdiçar minutos preciosos da vida. Mas há também o que vale a pena. Sem esses recursos, não teríamos acesso a certas experiências. Neste 29 de abril, por exemplo, vi numa postagem do músico e cantor Vado Negri a lembrança de que se celebra o Dia Internacional da Dança. Quem acompanha a Vado Negri e Banda logo entende o motivo da homenagem. Há anos, eles animam um expressivo número de reuniões dançantes pela região. Mantêm agenda cheia, contratados para festas, clubes recreativos, associações e entidades diversas. Especializaram-se no ritmo dançante. Normalmente apenas três músicos — violão, teclado e sax, às vezes também gaita — executando os mais variados gêneros c...

Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro

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Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro                      - Celso Gagliardo - É comum encontrarmos nas cidades, especialmente nas pequenas e médias, aquela senhora conhecida, fama conquistada pelas mãos habilidosas na preparação de doces, bolos, tortas, mousses.  Na bucólica cidade de São Pedro, quase ao pé da Serra do Itaqueri e suas cachoeiras, há também uma história assim, com sabor bem peculiar. Ela é vivida por dona Zuleika Coletta Caserta, sobrenome herdado do saudoso esposo, antigo investigador de polícia da cidade. Dona Zuleika sempre teve facilidade para fazer bolos e doces, pesquisando receitas e entregando tudo com capricho. Corria o ano de 1983. Ela conta que o começo não foi fácil: comprava aos poucos os ingredientes no mercado, chegando a emprestar panelas e geladeira. Essas mãos, aliada à disposição e vontade de trabalhar, foram decisivas para o crescimento do negócio. Os doces e bolos foram ganhando fam...

Do sofrimento do pianista à eternidade de uma canção

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Do sofrimento do pianista à eternidade de uma canção                                                        — Celso Gagliardo — Você já deve ter ouvido falar de Lupicínio Rodrigues (1914–1974). Gaúcho de Porto Alegre, foi um dos grandes nomes da música brasileira, autor de mais de uma centena de composições — sambas-canção, marchinhas e sucessos que atravessaram o tempo. Entre eles, até o hino do seu Grêmio, composto em 1953, daqueles que se cantam com o peito aberto, mesmo quando a vida aperta. Mas Lupicínio não escrevia apenas músicas. Escrevia estados de alma. Nos lembra Beni Galter, inveterado amante das canções de saudade, que a vida de Lupi era marcada por abandonos amorosos. Talvez por isso tenha se tornado um cronista das dores do coração — dessas que não fazem barulho, mas ecoam. É dele, aliás, a expressão “dor de cotovelo”: o sujeito enco...