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Saudades da mãe, sentimento unânime

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  Saudades da mãe, sentimento unânime                  - Celso Gagliardo – Há muito apelo comercial na comemoração do Dia das Mães. Mas nem isso deforma a grandeza da data. Se ela é relevante para o consumo, é porque transmite um sentimento forte, uma conexão intensa e incomparável. Quando alguém pergunta a uma pessoa madura qual é sua maior saudade, a resposta quase invariável é: “da minha mãe”. A sociedade se organiza por famílias, e a mãe é presença constante e imprescindível — afinal, ela concebe, cria e administra um lar com todas as suas variáveis. E ainda consegue, muitas vezes — sobretudo nos tempos modernos — ser profissional atuante nos mais variados setores. Para dar conta de tudo, a mãe conta com a intuição feminina, a determinação de quem sabe que, se parar, “a casa cai”, e a resiliência de quem faz por amor — e isso é diferencial. Ninguém é mais polivalente do que a mãe, muitas vezes não apenas por talento, mas por pura nec...

A magia da dança resiste ao tempo e conecta pessoas

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A magia da dança resiste ao tempo e conecta pessoas                        - Celso Gagliardo - A tecnologia tem proporcionado alcances inimagináveis. Quem tem olhos para ver encontra, nas telas, um número imenso de atrações — muitas das quais acabam nos fazendo desperdiçar minutos preciosos da vida. Mas há também o que vale a pena. Sem esses recursos, não teríamos acesso a certas experiências. Neste 29 de abril, por exemplo, vi numa postagem do músico e cantor Vado Negri a lembrança de que se celebra o Dia Internacional da Dança. Quem acompanha a Vado Negri e Banda logo entende o motivo da homenagem. Há anos, eles animam um expressivo número de reuniões dançantes pela região. Mantêm agenda cheia, contratados para festas, clubes recreativos, associações e entidades diversas. Especializaram-se no ritmo dançante. Normalmente apenas três músicos — violão, teclado e sax, às vezes também gaita — executando os mais variados gêneros c...

Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro

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Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro                      - Celso Gagliardo - É comum encontrarmos nas cidades, especialmente nas pequenas e médias, aquela senhora conhecida, fama conquistada pelas mãos habilidosas na preparação de doces, bolos, tortas, mousses.  Na bucólica cidade de São Pedro, quase ao pé da Serra do Itaqueri e suas cachoeiras, há também uma história assim, com sabor bem peculiar. Ela é vivida por dona Zuleika Coletta Caserta, sobrenome herdado do saudoso esposo, antigo investigador de polícia da cidade. Dona Zuleika sempre teve facilidade para fazer bolos e doces, pesquisando receitas e entregando tudo com capricho. Corria o ano de 1983. Ela conta que o começo não foi fácil: comprava aos poucos os ingredientes no mercado, chegando a emprestar panelas e geladeira. Essas mãos, aliada à disposição e vontade de trabalhar, foram decisivas para o crescimento do negócio. Os doces e bolos foram ganhando fam...

Do sofrimento do pianista à eternidade de uma canção

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Do sofrimento do pianista à eternidade de uma canção                                                        — Celso Gagliardo — Você já deve ter ouvido falar de Lupicínio Rodrigues (1914–1974). Gaúcho de Porto Alegre, foi um dos grandes nomes da música brasileira, autor de mais de uma centena de composições — sambas-canção, marchinhas e sucessos que atravessaram o tempo. Entre eles, até o hino do seu Grêmio, composto em 1953, daqueles que se cantam com o peito aberto, mesmo quando a vida aperta. Mas Lupicínio não escrevia apenas músicas. Escrevia estados de alma. Nos lembra Beni Galter, inveterado amante das canções de saudade, que a vida de Lupi era marcada por abandonos amorosos. Talvez por isso tenha se tornado um cronista das dores do coração — dessas que não fazem barulho, mas ecoam. É dele, aliás, a expressão “dor de cotovelo”: o sujeito enco...

Somos todos atores do mundo digital

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  Somos todos atores do mundo digital                    -  Celso Gagliardo - No passado, cidades menores contavam com um ou outro jornal — periódico, normalmente — e alguma emissora de rádio como principais meios de divulgação. Hoje, o mundo das comunicações se transformou de forma abrupta. A internet descortinou um horizonte amplo, permitindo que pessoas divulguem seus negócios, rotinas, alegrias, prosperidade — e até angústias compartilhadas. Houve uma democratização da informação. Muitos passaram a ter canais livres para receber e transmitir conteúdo, conectar-se. Somos agentes ambulantes de um mundo em que, a cada esquina, há uma câmera aberta, gravando. Sem os cuidados dos profissionais da comunicação, porém, muitas dessas informações chegam de forma parcial, entrecortada — e, pior, às vezes plantadas para enganar ou satirizar. Não por acaso, o termo fake news se popularizou. Vivemos tempos de teatro aberto. Estamos todos...

Matando saudades dos barbarenses

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●●●  Durante a nossa estada em Indaiatuba - final dos anos 80 - matava saudades de Santa Bárbara ouvindo rádio. E registrei o fato à epoca, com esta crônica:                            Matando saudades dos barbarenses                                                    - Celso Gagliardo -  De uns tempos para cá temos acompanhado, com contemplação, a programação matinal e domingueira da rádio FM Municipal, comandada por Márcio Rangel, antigo romiliano de grandes jornadas, nardiniano por pouco tempo, experiente radialista e “leão” veterano, colaborador da imprensa local. O programa, por si só agradável, traz páginas memoráveis do cancioneiro popular, numa viagem ao passado recente e longínquo, para refrescar a memória de uma população carente de paz, serenidade — exatamente pela con...
Galter, João — entre causos e papos                        - Celso Gagliardo - Há um fato quase inevitável na vida: reencontramos amigos — e até parentes distantes — nas despedidas. Foi assim no passamento do conhecido alfaiate barbarense João Duarte, em meados de abril. João era desses profissionais que carregam o ofício nas mãos. Trabalhando o tecido com precisão, entregava ternos de caimento impecável. Seguiu ativo até pouco antes de adoecer e dizia, com justo orgulho, que vestira muita gente — entre eles, nomes conhecidos, como o campeão mundial de natação Cesar Cielo. Entre cumprimentos carregados de memória e saudade, durante o velório, recebi a ligação de Beni Galter. A voz, embargada, denunciava o tamanho da perda. Procurou-me, certamente, após ler a nota que publicamos na rede social. Falou do amigo de juventude, companheiro de geração, e das afinidades que os uniam — especialmente o amor pela música, pela chamada “vel...