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Zé Maria, um barbarense "mais que" barbarense

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  Zé Maria, um barbarense “mais que” barbarense A data de aniversário dele é próxima à de minha mãe, Luzia. Esta, no dia 6, e ele um dia depois, 7 de março. Por isso sempre me lembro de seu aniversário, também. E hoje, rabiscando esta crônica para o blog - esse depositário de tantas respiradas profundas da minha vida na querida Santa Bárbara -, a memória me levou a ele outra vez. Não vou dizer que José Maria de Araújo Junior seja uma “quase unanimidade” como a gente chama certas figuras públicas. Quem se envereda pela via institucional dificilmente colhe admiração ampla. O coletivo é terreno espinhoso – vemos isso até nos pequenos condomínios. Muitas vezes, decisões tomadas, ou o próprio destaque, despertam não aplausos, mas inveja e desafeto. Mas Zé Maria é um barbarense daqueles “mais do que barbarenses”. Desde cedo atento às questões da comunidade, próximo das lideranças de setores vários, opinando, influenciando, participando. O espírito público já lhe fervilhava nas veias. Mi...

Anos 30 e o Monjolo de Milho do seu Elias

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  Anos 30 e o Monjolo de Milho do seu Elias        Há mais de 90 anos, funcionava no bairro Alambari do Meio, região do Santo Antônio do Sapezeiro e divisa com Rio das Pedras, um rústico monjolo de milho movido exclusivamente pela força da água. Construído com troncos resistentes, sem parafusos, o engenho utilizava água corrente de um córrego para acionar o pilão de madeira que triturava grãos, descascava café e produzia farinha. Um sistema simples, autônomo e sustentável — muito antes de essa palavra ganhar destaque. O mecanismo operava pela gravidade: o cocho enchia-se de água, a haste descia e, ao esvaziar, o pilão caía, socando o milho em ritmo constante. O monjolo fez parte da história do casal Elias e Georgina Leite Barbosa, que por volta de 1932 formaram uma família de 11 filhos no sítio onde cultivavam arroz, feijão e milho. O grão era colhido, armazenado no paiol, debulhado manualmente, curtido em água corrente, socado, torrado e transformado em farinha...

Professor Newton, do ensino Vocacional a expoente na Educação

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  Professor Newton, do ensino Vocacional a expoente na Educação Conheci o professor Newton César Balzan já na fase final de sua intensa e profícua vida. Uma figura humana singular, calma, voz suave e olhar atento, de fala firme e sincera. Mesmo já debilitado fisicamente, predominava sua memória prodigiosa, lembrança de detalhes da vida, comportamento e atividade dos seus alunos no Ginásio Vocacional de Americana, anos 1960. Compor seu rico currículo nos passa o sabor da vida do conhecimento, uma figura ávida do saber. Graduou-se em Geografia e História, USP, em Pedagogia, Universidade Mogi das Cruzes, fez Doutorado em Educação pela UNESP – sua tese focalizou os Estudos Sociais nos Ginásios Vocacionais e impacto e atitudes de ex-alunos. Fez Pós-Doutorado – Pesquisa na Universidade de Boston, Estados Unidos, 1983 e 1984. Profundo estudioso e analista das questões do Ensino. Incansável estudioso, com quase 70 anos quis aprender alemão, já tinha Inglês, Espanhol e Francês para le...

Viajando pelos números e sentindo-se um deles

Viajando pelos números e sentindo-se um deles Vamos amadurecendo sob a rudeza dos anos e a leveza das flores do caminho. A realidade, com o tempo, deixa de pedir licença: estampa-se. Grosso modo tudo se resume a um número. Somos um número. Velho reclamão? Ah.. então, vejamos: você vai ao médico, ele olha na primeira linha de seu prontuário está o seu DNA – não o “manual de instruções do corpo”, a molécula que carrega informações genéticas, mas a Data de Nascimento. E o A final é de antiga. O doutor fixa seus olhos ali e já ensaia suas (pré)-conclusões. Em qualquer repartição querem nos qualificar. Nome, endereço e os números que carregamos: CPF, RG, etc... Agora unificam tudo na CIN-Carteira de Identidade Nacional, um número só. Continuaremos sendo um número. Você luta por emprego, faz entrevistas intermináveis, capricha no currículo e consegue a vaga. Vibra. E vai lá ao DRH assinar contrato – recebe um número. Ganha matrícula – outro número. E ainda adota um crachá com mais um número,...

Havia tempestade, e uma velhinha aflita na calçada

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  Havia tempestade, e uma velhinha aflita na calçada Em tempos sombrios, quando parece que nos afastamos cada vez mais das palavras e do exemplo de Jesus, somos bombardeados por ocorrências trágicas — como o ruidoso caso de Itumbiara, Goiás — que nos deixam atônitos e cheios de interrogações. Não apenas isso. Casos de desagregação familiar por discussões fúteis, polarizações políticas que rompem laços, vaidades que impõem pensamentos como se fossem verdades absolutas. A violência doméstica, as drogas, o abuso do álcool, o feminicídio — um quadro doloroso que insiste em não recuar. Mas há também singelas cenas urbanas que passam quase invisíveis e, ainda assim, marcam profundamente. Gestos de relação amorosa, de bem-querer, de entendimento de que o outro é igual — irmão sempre. Esse é o outro lado do copo. O meio cheio do bem. Paradoxalmente, esses fatos auspiciosos raramente ganham destaque. Não produzem manchetes estrondosas. E aí reside um perigo: cercados por tantos recortes neg...

CVV e a grandiosidade do trabalho voluntário

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  CVV e a grandiosidade do  trabalho voluntário Com o novo ano as pessoas revisam metas, repensam objetivos e, não raras vezes, passam a considerar o engajamento em movimentos de benemerência, de caráter social, voltados ao auxílio ao próximo: o chamado trabalho voluntário. Este artigo é para você que já se sente alinhado a esse propósito — ou para ser compartilhado com aquele amigo, parente ou conhecido que você sabe que deseja tornar-se voluntário. O CVV – Centro de Valorização da Vida – é uma instituição social que realiza um trabalho essencial há 63 anos no Brasil. O serviço é voluntário, gratuito e oferece atendimento sigiloso por telefone, chat e e-mail. Reconhecido como entidade de utilidade pública federal, o CVV funciona com uma estrutura matricial que estabelece diretrizes e treinamentos, garantindo um padrão de atendimento uniforme em todos os postos. São em torno de 90 postos espalhados pelo país e mais de 3.000 voluntários em atividade. Em Americana, o pos...

Ai... que saudade que dá

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  Ai... que saudade       que dá Saudade, essa malvada. Presença invisível, lembrança de bons momentos, registro emocional de vínculos e memórias. Palavra típica da língua portuguesa, dizem que sem tradução objetiva para outros povos. Escrevo sobre saudade porque a amiga Cristina Gilberti, valorosa voluntária de tantos movimentos, lembrou ao grupo que 30 de janeiro é reservado à sua celebração. E ainda arrematou com dois expoentes da nossa música — Vinicius de Moraes e Toquinho — interpretando Onde Anda Você: “E por falar em paixão, em razão de viver, você bem que poderia me aparecer, nesses mesmos lugares, nas noites, nos bares… onde anda você?” Fantástico. É gostoso falar de saudade. Porque dá saudade. Para muitos, ela logo evoca pais, mães, avós, filhos, amigos que já se foram. “A saudade eterniza a presença de quem partiu.” Foram tantos momentos lado a lado, partilhas de rotinas, de alegrias e dificuldades dessa construção chamada vida, consolidando vínculos...