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Uma loja de som entre encontros, memórias e sonhos
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Uma loja de som entre encontros, memórias e sonhos — Celso Gagliardo — Uma loja de aparelhos de som usados oferece sabores que vão muito além da simples compra e venda. Um verdadeiro santuário — não apenas para músicos profissionais ou amadores, mas também para entusiastas do áudio, nostálgicos em busca de qualidade sonora. Há lojas com verdadeiras relíquias: o charme vintage, a valorização do vinil e as lembranças de toca-discos, tape decks, receivers analógicos iluminados, caixas de madeira de marcas renomadas — de uma época em que os equipamentos eram feitos para durar, robustos. É o caso da Ficha Som, que conheci por anúncios na Tribuna e que um dia visitei no centro da plácida São Pedro. Ali, há anos, dirigida pelo sr. Fischer — homem de simpatia fácil e um bigodinho q...
O sebo, o tempo e um pouco de prosa
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O sebo, o tempo e um pouco de prosa — Celso Gagliardo — Neste século XXI de extraordinário avanço tecnológico, a gente se depara com algumas atividades típicas do passado que persistem, teimosamente. É o caso dos chamados “sebos”, essas livrarias que compram, vendem ou trocam livros usados e, às vezes, materiais antigos. Algumas se especializam na comercialização de obras raras e seminovas, a preços acessíveis. Com o valor de um lançamento em livraria de shopping, o leitor consegue adquirir até três títulos em um sebo — inclusive online. E por que o estranho nome “sebo” para uma livraria de usados? Diz-se que vem do latim sebum, que quer dizer “gordura”. A ideia é que as obras fiquem “engorduradas” pelo manuseio constante — uma marca do tempo e das mãos que por elas passaram. Nas lojas físicas dos sebos, especialmente nas grandes cidades, é comum nos depararmos com pessoas garimpando edições esgotadas, literatura, gibis e livros técnicos...
Os desafios da Liderança que ninguém te conta
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Os desafios da Liderança que ninguém te conta - Celso Luís Gagliardo - Publiquei recentemente um conteúdo sobre liderança — tema caro ao mundo corporativo — e o engenheiro Sérgio Couto, do alto de sua experiência, fez uma observação precisa: é fundamental ter conhecimento e competência sobre os processos da própria área de atuação. Sem dúvida. Isso legitima o líder gestor. Ainda assim, não é necessário ser especialista em todos os segmentos sob sua responsabilidade. Ele pode — e deve — contar com subordinados e especialistas para levar adiante projetos e atingir resultados. Mas liderar é apenas atingir resultados? Se o...
A Bismark que cresceu além do jardim
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A Bismarck que cresceu além do jardim - Celso Luís Gagliardo - As plantas encantam. Enfeitam. Purificam. Perfumam. Nos humanizam, de certa forma. Um dia, o amigo Aldo, da bela cidade das flores, Holambra, nos presenteou com a muda de uma palmeira Bismarck. Dessas que a gente vê em parques e jardins, explodindo beleza azulada, com suas folhas grandes lá no alto — como braços abertos, distribuídas com harmonia. Quem dá uma planta finca na terra a amizade — e acaba sendo lembrado por muito tempo. Já aconteceu também com outro amigo, o Angolini, que um dia apareceu lá em casa, nos idos de 1982, e nos ajudou a montar um jardim ainda insipiente, mãos na terra. Compramos com ele algumas mudas que foram plantadas, cresceram, se expandiram. Não deram frutos, é verdade, mas nos ofereceram flores, perfume e, principalmente, lembranças — do nascedouro, do berço, da terra crua que virou jardim. E memória boa. Esta crônica nasceu ontem, ...
Zé Maria, um barbarense "mais que" barbarense
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Zé Maria, um barbarense “mais que” barbarense A data de aniversário dele é próxima à de minha mãe, Luzia. Esta, no dia 6, e ele um dia depois, 7 de março. Por isso sempre me lembro de seu aniversário, também. E hoje, rabiscando esta crônica para o blog - esse depositário de tantas respiradas profundas da minha vida na querida Santa Bárbara -, a memória me levou a ele outra vez. Não vou dizer que José Maria de Araújo Junior seja uma “quase unanimidade” como a gente chama certas figuras públicas. Quem se envereda pela via institucional dificilmente colhe admiração ampla. O coletivo é terreno espinhoso – vemos isso até nos pequenos condomínios. Muitas vezes, decisões tomadas, ou o próprio destaque, despertam não aplausos, mas inveja e desafeto. Mas Zé Maria é um barbarense daqueles “mais do que barbarenses”. Desde cedo atento às questões da comunidade, próximo das lideranças de setores vários, opinando, influenciando, participando. O espírito público já lhe fervilhava nas veias. Mi...
Anos 30 e o Monjolo de Milho do seu Elias
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Anos 30 e o Monjolo de Milho do seu Elias Há mais de 90 anos, funcionava no bairro Alambari do Meio, região do Santo Antônio do Sapezeiro e divisa com Rio das Pedras, um rústico monjolo de milho movido exclusivamente pela força da água. Construído com troncos resistentes, sem parafusos, o engenho utilizava água corrente de um córrego para acionar o pilão de madeira que triturava grãos, descascava café e produzia farinha. Um sistema simples, autônomo e sustentável — muito antes de essa palavra ganhar destaque. O mecanismo operava pela gravidade: o cocho enchia-se de água, a haste descia e, ao esvaziar, o pilão caía, socando o milho em ritmo constante. O monjolo fez parte da história do casal Elias e Georgina Leite Barbosa, que por volta de 1932 formaram uma família de 11 filhos no sítio onde cultivavam arroz, feijão e milho. O grão era colhido, armazenado no paiol, debulhado manualmente, curtido em água corrente, socado, torrado e transformado em farinha...