Professor Newton, do ensino Vocacional a expoente na Educação
Professor Newton, do ensino Vocacional a expoente na Educação
Conheci o
professor Newton César Balzan já na fase final de sua intensa e profícua vida.
Uma figura humana singular, calma, voz suave e olhar atento, de fala firme e
sincera. Mesmo já debilitado fisicamente, predominava sua memória prodigiosa,
lembrança de detalhes da vida, comportamento e atividade dos seus alunos no
Ginásio Vocacional de Americana, anos 1960.
Compor seu
rico currículo nos passa o sabor da vida do conhecimento, uma figura ávida do
saber. Graduou-se em Geografia e História, USP, em Pedagogia, Universidade Mogi
das Cruzes, fez Doutorado em Educação pela UNESP – sua tese focalizou os
Estudos Sociais nos Ginásios Vocacionais e impacto e atitudes de ex-alunos. Fez
Pós-Doutorado – Pesquisa na Universidade de Boston, Estados Unidos, 1983 e
1984.
Profundo
estudioso e analista das questões do Ensino. Incansável estudioso, com quase 70
anos quis aprender alemão, já tinha Inglês, Espanhol e Francês para leitura.
Newton
Balzan sempre se referia à cidade de Americana com muito carinho. A então
“Princesa Tecelã” foi sua cidade de atuação pioneira – de 1962 a 1966 militou
no Ensino Fundamental no Ginásio Vocacional (GEVA), como Professor de Estudos
Sociais, chegando a Coordenar a disciplina no contexto geral do ensino
Vocacional.
Sempre
ressaltava que vivenciou em Americana uma das fases mais saborosas de sua
carreira, pela proposta diferenciada que o ensino Vocacional representava. Percorreu
32 países e, comparativamente, não encontrou algo que se assemelhasse ao que
vivenciara no ensino vocacional.
O Ginásio
Vocacional foi encerrado pelo regime militar, e Balzan prosseguiu firme na
carreira, como Professor titular na Faculdade de Educação da PUC Campinas,
Livre Docente e Professor Colaborador e Pesquisador Sênior na Universidade
Estadual de Campinas, UNICAMP.
Participou
com destaque em projetos e pesquisas nas áreas de formação de professores e
didática; avaliação do ensino e aprendizagem; avaliação institucional e
políticas educacionais. Passou pela Universidade de São Paulo, USP, no início
de carreira, experiência que marcaria suas reflexões críticas sobre a
Universidade brasileira.
Foi autor de
cerca de 70 artigos e trabalhos científicos sobre Educação Universitária,
avaliação institucional, formação docente e currículo escolar. Autor do livro
“Conversa com Professores, do fundamental à Pós-Graduação”, Cortez Editora, ano
de 2015. Publicou também, com José Dias Sobrinho, o livro Avaliação
Institucional, coletânea de reflexões e modelos sobre avaliação institucional
no contexto educacional.
Balzan era
um defensor da UNICAMP, onde foi Professor e depois atuou como colaborador voluntário.
Sempre recomendava “nunca se afaste da Unicamp, ali é que as coisas acontecem”.
Mas dedicou os últimos anos de sua vida profissional no Programa de
Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a
PUCC, e assessor da Pró-Reitoria de Graduação.
Por tudo
isso a contribuição desse pensador também se espelha na formação de muitos
pesquisadores de altíssimo gabarito que foram impregnados pelos seus
ensinamentos. Ao todo, orientou 120 dissertações de mestrado e 14 doutores,
alguns deles destacados profissionais de renome no cenário educacional
brasileiro.
Sua frase polêmica
“fazer doutorado não é para qualquer um” ficou marcada, e questionada. Ele
explicava: “fazer doutorado não é mesmo para qualquer um. Não é qualquer pessoa
que está disposta a mergulhar, estudar, estudar e estudar. Escrever e
escrever.”
Mais que
justa portanto seria uma homenagem ao emérito doutor Newton Balzan, pela cidade
de Americana. Deixou um legado no sistema educacional brasileiro, especialmente
à formação de professores com experiências pioneiras. Sua história está
conectada à própria evolução educacional de Americana. Foi um pensador
otimista, incansável e participativo até os últimos tempos de sua vida de 87
anos.
- Celso Luís Gagliardo - 03 03 2026 Profissional de RH e Gestão. Jornalista.
Comentários