Saudades da mãe, sentimento unânime

 


Saudades da mãe, sentimento unânime

                 - Celso Gagliardo –

Há muito apelo comercial na comemoração do Dia das Mães. Mas nem isso deforma a grandeza da data. Se ela é relevante para o consumo, é porque transmite um sentimento forte, uma conexão intensa e incomparável.

Quando alguém pergunta a uma pessoa madura qual é sua maior saudade, a resposta quase invariável é: “da minha mãe”. A sociedade se organiza por famílias, e a mãe é presença constante e imprescindível — afinal, ela concebe, cria e administra um lar com todas as suas variáveis. E ainda consegue, muitas vezes — sobretudo nos tempos modernos — ser profissional atuante nos mais variados setores.

Para dar conta de tudo, a mãe conta com a intuição feminina, a determinação de quem sabe que, se parar, “a casa cai”, e a resiliência de quem faz por amor — e isso é diferencial. Ninguém é mais polivalente do que a mãe, muitas vezes não apenas por talento, mas por pura necessidade. Enfermeira improvisada, professora, psicóloga por intuição, conciliadora de conflitos, economista doméstica. Nem sempre perfeita — porque ninguém é —, quase sempre a mãe é a alma moral da família.

A figura materna parece reunir muitas dimensões humanas. Talvez por isso sua ausência produza uma saudade tão profunda. É a lembrança de um tipo raro de presença.

A maternidade não se resume ao nascimento. O que marca é a construção cotidiana: noites mal dormidas, preocupações silenciosas, vigilância constante, pequenas renúncias que quase nunca entram para a história oficial da família.

Ser mãe significa uma espécie de administração afetiva da existência. Não apenas cuidar da casa, mas também do clima emocional. Quase sempre é ela quem percebe a tristeza escondida, o medo disfarçado, a falta de confiança, a dúvida, a ausência de fé e a perda da esperança. Mesmo cansada, tenta manter “a tropa familiar” de pé.

A mãe convive com o filho no colo desde pequenino, protege e procura indicar os melhores caminhos, mas, nesta data, certamente muitas passarão o dia diante de fotografias, aguardando telefonemas que não chegam, fazendo visitas a presídios ou convivendo com distâncias criadas por mágoas bobas, vícios, conflitos ou escolhas difíceis. É a dor da quebra do sonho.

Assim, enquanto ficamos em nosso canto cultivando a boa saudade de nossas mães que já se foram ou estão distantes, também nos lembramos daquelas sofridas, decepcionadas, mães-pais, que rezam em silêncio nas vicissitudes da vida, e ainda assim continuam amando.

Aproveitemos a data para refletir sobre a grandiosidade da missão materna em seu sentido mais amplo. Que “todas as Marias” recebam nosso carinho — ou nossas orações — por tudo o que representam, ou representaram, em nossas vidas e para a sociedade.             - 07 mai 2026 -

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A taxinha furou o pneu do trem...

Zé Luiz, o Zelo, vida curta que fez história

Amigos fiéis, pontes e conexões