Anos 30 e o Monjolo de Milho do seu Elias

 


Anos 30 e o Monjolo de Milho do seu Elias       

Há mais de 90 anos, funcionava no bairro Alambari do Meio, região do Santo Antônio do Sapezeiro e divisa com Rio das Pedras, um rústico monjolo de milho movido exclusivamente pela força da água. Construído com troncos resistentes, sem parafusos, o engenho utilizava água corrente de um córrego para acionar o pilão de madeira que triturava grãos, descascava café e produzia farinha. Um sistema simples, autônomo e sustentável — muito antes de essa palavra ganhar destaque.

O mecanismo operava pela gravidade: o cocho enchia-se de água, a haste descia e, ao esvaziar, o pilão caía, socando o milho em ritmo constante.

O monjolo fez parte da história do casal Elias e Georgina Leite Barbosa, que por volta de 1932 formaram uma família de 11 filhos no sítio onde cultivavam arroz, feijão e milho. O grão era colhido, armazenado no paiol, debulhado manualmente, curtido em água corrente, socado, torrado e transformado em farinha.

O produto tornou-se conhecido como “Farinha do Lulu Totico”, apelido do senhor Elias. Embalada em sacos de tecido e transportada em carros puxados por cavalos e burros, era comercializada em Santa Bárbara d’Oeste e Rio das Pedras.

A história foi resgatada pelo pesquisador Antonio Carlos Angolini, que reuniu relatos e recuperou uma fotografia da época — imagem depois editada por Danilo André Patrício — mantendo viva a memória desse engenho que marcou gerações.

Em 1956, a família mudou-se para Santa Bárbara com o sonho de montar uma fábrica, mas o projeto não prosperou. Ainda assim, o monjolo permanece como símbolo de trabalho, engenhosidade e sustentabilidade — herança de um tempo em que a força da água movia o pilão e sustentava a vida.

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