J.J.Bellani, outra "quase unanimidade" barbarense
J. J. Bellani, outra “quase unanimidade” barbarense
Todos nós temos virtudes e limitações, restrições e falhas. É da condição humana. Todavia, alguns são dotados de carisma — ou de um it factor, como dizem os americanos — e irradiam uma boa energia que abraça a todos que alcança.
Tenho dito sempre, em tom de brincadeira séria, que essas pessoas são “quase unanimidade”. A unanimidade é utopia, não existe. Como bem observou Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. Aliás, existiu um Ser Superior e Divino que foi unanimidade — e acabou crucificado.
Nesta semana, uma dessas “quase unanimidades”, o Angolini, ligou-nos para avisar:
“Dia 30 de janeiro é o aniversário do Bellani.”
E, na sequência, desfilou uma série de elogios ao moço barbarense, celebrando seus bem-vividos 71 aninhos.
Conheço João José Bellani desde idos tempos. Sempre organizado, responsável diante dos compromissos que assume. Lembro-me de sua personalidade já pela letra. Escrevia para nós, no Jornal d’Oeste, a página esportiva em tempos de máquina datilográfica. Preferia, no entanto, grafar os textos de próprio punho: letras grandes, espaçadas, linhas uniformes, leitura fácil. Escrevia com rapidez, textos moderados, evitando a polêmica tanto quanto possível.
Militou profissionalmente em várias áreas, deixando por onde passou um caminho de boas lembranças e resultados concretos. Foi do rádio — da técnica à locução — nas emissoras Luzes da Ribalta, Brasil e Santa Bárbara FM. Atuou em redações de jornais como Jornal d’Oeste, Correio Barbarense e Diário. Trabalhou na Prefeitura, cuidando da gestão do DECET nos tempos do prefeito Romaninho. Foi escriturário da oficina mecânica Só Volks e, como muitos de nós, também da Indústrias Romi.
Pessoa íntegra e religiosa, que grangeia amigos com facilidade, Bellani notabilizou-se especialmente pela ação comunitária. Ajudou voluntariamente diversas instituições, com destaque para o futebol e para o União Barbarense. Não apenas divulgava as atividades do time e do clube, como organizou registros, catalogou dados e publicou o livro “A história dos 100 anos do União A.B.F.C.”.
A obra, digital e disponível na internet, reúne cerca de 500 páginas com grande número de jogos, escalações, diretorias, destaques e ilustrações — um trabalho grandioso de pesquisa, paciência e amor à memória esportiva.
Mas não foi só esse feito. Em 1985, Bellani já havia lançado o livro impresso “A memória do futebol barbarense”, com 173 páginas. A obra não se restringe à história do União, abrangendo também a A.E. Internacional (da Rua Santa Bárbara) e os clubes das usinas — Palmeiras da Usina Furlan e CAUSB, da Usina Santa Bárbara.
Tive o privilégio de prefaciar essa publicação, cuja renda prevista com a venda de mil exemplares seria destinada à Casa da Criança.
Outro trabalho hercúleo veio em junho de 2008: o livro impresso “Santa Bárbara d’Oeste — um século de esportes”, com 159 páginas, reunindo personalidades esportivas da cidade em diversas modalidades, melhores jogadores, times marcantes, além dos tradicionais amadores das usinas e dos bairros. A obra foi editada pela Secretaria de Cultura da Prefeitura.
Bellani é, com justiça, reconhecido como historiador do esporte de Santa Bárbara d’Oeste e verdadeiro embaixador do União Barbarense. Também contribuiu com levantamentos cronológicos de fatos da cidade e publicou o livro digital “Isto é Santa Bárbara d’Oeste”, disponível na internet. Um documentário histórico em dez capítulos, que percorre a trajetória da cidade de 4 de dezembro de 1818 a 26 de setembro de 2019, sob supervisão do historiador Antonio Carlos Angolini.
Foi homenageado por seus méritos em diversas oportunidades, inclusive emprestando seu nome ao Centro Esportivo Municipal J. J. Bellani, no bairro Araçariguama.
Falar de Bellani é fácil. Difícil é resumir. Aqui fica nossa singela homenagem ao amigo e o reconhecimento por tanta dedicação e amor às causas esportivas e à nossa cidade. Ele sempre nos socorre com dados precisos e memória impecável. Às vezes, ainda adverte:
“Está lá no livro, página tal… é só procurar.”
Mas nunca deixa de informar.
E, sempre responsável e preocupado com o futuro da memória coletiva, costuma perguntar:
“Quem vai atualizar tudo isso? Quem dará continuidade? Estou me aposentando…”
O espaço está aberto, gente.
// Celso Gagliardo //
Profissional de RH e Gestão · Jornalista
Texto do blog
celsogagliardo.blogspot.com
29 de janeiro de 2026
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