Os desafios da Liderança que ninguém te conta
Os desafios da Lideranca que ninguém te conta - Celso Luís Gagliardo -
Publiquei recentemente um conteúdo sobre liderança — tema caro ao mundo corporativo — e o engenheiro Sérgio Couto, do alto de sua experiência, fez uma observação precisa: é fundamental ter conhecimento e competência sobre os processos da própria área de atuação.
Sem dúvida. Isso legitima o líder gestor. Ainda assim, não é necessário ser especialista em todos os segmentos sob sua responsabilidade. Ele pode — e deve — contar com subordinados e especialistas para levar adiante projetos e atingir resultados.
Mas liderar é apenas atingir resultados?
Se os resultados vêm, o contratante se tranquiliza, e o líder se consolida no cargo. No entanto, há situações em que as metas são cumpridas e, ainda assim, outros problemas comprometem o conjunto da gestão: relações frágeis dentro da equipe, conflitos entre áreas, queda na qualidade ou aumento de custos. O volume pode até ser bom, mas o todo não se sustenta.
Liderar é uma missão complexa. Envolve um conjunto amplo de responsabilidades que, muitas vezes, passam despercebidas. Não por acaso, já presenciei técnicos recusando promoções para cargos de liderança — para surpresa de diretores e acionistas. Em alguns casos, apoiei essa decisão: melhor permanecer onde se é produtivo e realizado do que assumir um papel desalinhado ao próprio perfil.
Há quem lide bem com pessoas — com sensibilidade, escuta e capacidade de mobilizar colaboração. Outros enfrentam dificuldades: evitam conversas mais delicadas, hesitam em alinhar, cobrar, orientar ou oferecer feedback.
Sempre fui direto ao abordar alguém sobre uma possível promoção:
“Liderar é estimulante, dá visibilidade. Mas exige disposição para esquentar a cabeça. O líder pensa em várias frentes ao mesmo tempo e responde por resultados que nem sempre dependem apenas de sua equipe.”
Nos tempos atuais, é comum ouvir que “a mão de obra piorou”: baixo engajamento, falta de compromisso, pouca ambição. O mundo, de fato, mudou. As pessoas não se subordinam como antes, questionam mais, não aderem automaticamente a regras e instruções. Nesse cenário, a gestão de pessoas se torna ainda mais desafiadora.
Medidas tradicionais, como ameaças ou demissões, já não produzem o mesmo efeito. A estabilidade deixou de ser um valor central para muitos. Isso amplia a responsabilidade na contratação: escolher bem na entrada evita problemas adiante. No nível operacional, porém, nem sempre se dedica o tempo necessário para conhecer melhor os candidatos. É um ponto de atenção importante.
Também é possível identificar, internamente, potenciais líderes. Aliás, a seleção interna costuma ser a melhor alternativa quando viável: valoriza quem já está na casa e conhece a cultura e a operação. Em geral, esses profissionais se destacam pela disposição em colaborar, pela comunicação mais aberta, pela iniciativa e pela coragem de contribuir além de suas atribuições formais.
Talvez o maior desafio do líder contemporâneo seja justamente este: organizar o trabalho de forma eficiente para liberar tempo — e energia — para as pessoas. Para isso, vale recorrer às áreas de apoio, como manutenção, engenharia de processos, tecnologia e até à Inteligência Artificial.
Vivemos tempos de estruturas enxutas. É ilusório esperar aumento de quadros ou mais níveis hierárquicos. Esse tempo passou. O que se exige agora é preparo contínuo, capacidade de adaptação e atenção permanente aos múltiplos fatores que impactam a gestão.
Em outras palavras: um olho nos resultados, outro nas pessoas.
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