E a Rodovia não poderia cortar a cidade

 



Quando surgiu o projeto de prolongamento da rodovia dos Bandeirantes, de Campinas a Cordeirópolis, um estado de euforia tomou conta das cidades beneficiadas por esse vetor de desenvolvimento. Mas quando Santa Bárbara soube que a estrada " cortaria" sua área urbana houve justificada apreensão e começou a luta férrea junto ao Governo de SP para mudar o projeto. Participamos dessa jornada intensa, junto com o prefeito de então, o Zé Maria. Queríamos que a estrada contornasse a área urbana e não a cortasse na região do Mollon. E a comunidade venceu. A estrada está aí há 24 anos, contribuindo com o progresso de SBO. O texto publicado no Diário à época da inauguração do trecho
 é bem explicativo.                                                                                             E a rodovia nao poderia cortar a cidade 

Por Celso Luís Gagliardo

Há sonhos que não se medem em quilômetros, mas em cuidado. Santa Bárbara d’Oeste acaba de ver um deles realizado. Não se tratava de ter a Bandeirantes — ela viria de qualquer forma. A questão era como ela chegaria.

Nos anos 90, quando o prolongamento da rodovia foi anunciado, havia quem defendesse o traçado mais fácil: cortar a cidade ao meio, rasgando bairros, interrompendo rotinas, impondo muros invisíveis onde antes havia encontros. Seria rápido, seria prático. Mas não seria certo.

Foi então que se ergueu a voz do prefeito José Maria de Araújo Júnior, firme, serena: “A estrada não pode dividir Santa Bárbara”. E começou a jornada. Reuniões técnicas, audiências, relatórios, pressões políticas. Cada obstáculo parecia dizer “desista”. Mas a convicção respondia: “Preservar vale mais que economizar”.

O tempo passou. Vieram estudos, desenhos, cálculos. Vieram esperas, dúvidas, negociações. E, no fim, venceu a ideia simples e bonita: o progresso pode chegar sem ferir a alma de uma cidade.

Hoje, a Bandeirantes contorna Santa Bárbara. E a paisagem continua inteira. Ruas seguem unidas, bairros conversam entre si, a vida flui sem cicatrizes. A estrada trouxe desenvolvimento, sim. Mas trouxe também um recado silencioso: crescer não precisa significar destruir.

Há placas novas no horizonte. Há motores ronronando, promessas no asfalto. Mas, acima delas, há uma história de coragem — de quem soube dizer “sim” ao futuro sem dizer “não” à essência do lugar.

Porque estrada é mais que concreto. É escolha. É caminho que pode ligar cidades sem separar pessoas.
                   


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