Seu Tales, o amigo-barbeiro, grande figura humana

 


 

>>>  Mais que barbeiro se tornou um amigo. Grandes papos tivemos. Às vezes ia na sua casa somente para conversar com esse homem discreto e cordial. Quando completou 70 anos de profissão fiz a crônica que vai, abaixo. Hoje, Eutálio Chamberlam Marques que já completou 99 anos vive cercado do carinho das filhas. Ele não pode mais realizar o seu passatempo predileto, trabalhar. É com imensa satisfação imensa que posto este texto, em sua homenagem.

‘Seu’ Tales,

barbeiro há 70 anos

                                                                                   - Celso Gagliardo –

Muitos americanenses conhecem Eutálio Marques, o “seu” Tales, barbeiro tradicional que adotou Americana, onde fez carreira de sucesso, e conheceu dona Rosa Conforto Marques que lhe deu as filhas Sandra Regina e Tânia Maria, uma Terapeuta Ocupacional e outra Assistente Social.

Trabalhou por 9 anos na rua 30 de Julho, perto do Bar Casa Verde, no salão de Orlando Padovani. Depois, juntou-se a outros profissionais bons de tesoura e lâminas e instalou o Salão Santo Antonio, no início da rua Washington Luiz, com quatro cadeiras Ferrantti. Ali, por 43 anos, acompanhou o desenvolvimento da cidade de Americana e todo o boom da indústria têxtil e sua cadeia produtiva.

Por sua cadeira desfilaram clientes de todos os níveis, do Juiz de Direito à época a outras autoridades na política, e muitos outros, incluindo trabalhadores da Nardini que operava no centro da cidade. “Seu" Tales gosta de frisar as amizades com os fregueses:  Acredita que seu sucesso profissional é baseado no relacionamento, além de assimilar o desejo de seu cliente em relação ao corte. Aprendeu isso num curso de 30 dias em São Paulo.

Tales cita, com satisfação, que serviu até hoje muita gente. Alia sempre o trabalho a um bom dedo de prosa. Se solicitado, muitas vezes pega a sua tralha e vai à casa do cliente acamado ou imobilizado.

Mantém-se atualizado por jornais e revistas, faz palavras cruzadas, gosta de TV em alta definição e tela grande. Palmeirense comportado, acompanha o futebol e as notícias da mídia. Ainda dirige seu velho e bom Vectra, único dono e pouco rodado. Sempre gostou de um passeio anual de férias, e ainda curte praia com a esposa, filhas, genros e os netos.

Sobre o futuro da profissão diz que as barbearias reduziram-se com a chegada dos salões unissex e serviços estéticos mais sofisticados. Mas que elas ainda persistem, na forma tradicional como a dele. Outras poucas ainda surgem com inovações para acompanhar o interesse do homem com a aparência e o bem-estar.

Lembra que, no passado, muita gente não fazia a barba em casa, daí a profissão chamar-se  Barbeiro. As lâminas não eram de boa qualidade, hoje há tecnologia e o homem apara sua barba com facilidade e rapidez, sem precisar ir ao “Barbeiro”.

Com 90 anos de idade e ainda trabalhando, Tales festeja o feito raro de concluir 70 anos de profissão. Comemora a saúde, disposição e boa memória dizendo que a receita é vida regrada, sem vícios e bons hábitos. “Sinto-me bem e feliz profissionalmente. Minha vida é de trabalho, que o tenho como um verdadeiro passatempo”, finalizou.   

Certamente os clientes-amigos é que comemoram a decisão do então jovem barbeiro de Descalvado que um dia, aos 21 anos, pegou carona com a trupe do Circo Garcia para vir a se fixar em Americana. E fez sua história.

                                                          gagliardo.celsoluis@gmail.com.      


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