Tatuagem, entre prós e contras, marcas que contam histórias
Tatuagem,
entre prós e contras, marcas que contam histórias
- Celso
Gagliardo –
A tatuagem,
observada inicialmente com desconfiança e repúdio, evoluiu nos últimos anos de
forma intensa. Virou um fenômeno cultural forte demais para ser ignorado.
Outro dia,
não resisti ao ser atendido por uma bela jovem com tatuagens expostas, e
indaguei por quê? Ela não soube ou não quis explicar, falou que faz “porque
gosta”, e talvez pensou, mas não disse “e o que o sr. tem a ver com isto?”.
Confesso que
estranho muito ver pessoas com marcas intensas pelo corpo, às vezes mais se
parecendo um painel humano, um jornal ambulante. Gente famosa, artistas,
jogadores com milhões de seguidores são adeptos da tatuagem.
A expansão
dessa prática tem levado a situações de conflito nalgumas famílias, dado que os
jovens nem sempre têm o apoio de pais ou tutores para isso. Houve caso da filha
que estuda fora e, ao voltar para casa para comemorar as notas de conclusão, surpreendeu
negativamente a mãe, que decidiu desfazer o negócio de compra de um carro zero
km para presenteá-la. Decepção ao ver a filha com várias tatuagens.
Sabemos que,
nos povos indígenas-originários. cada traço, cor e símbolo carrega um sentido,
denotando força espiritual, ritos, posição hierárquica, e proteção. E na
sociedade urbana, o que justificariam desenhos, nomes, frases, sinais cravados
na pele de forma quase definitiva, num mundo onde transformações e mudanças são
a maior certeza?
Analistas
falam que vários são os motivos que podem levar as pessoas a contratarem o
serviço de “tattoos”. Vontade de
enfeitar o corpo, de diferenciar-se ou de afirmar identidade num mundo em que
tudo parece padronizado. Também há ocasiões em que se tatua para marcar algo
importante, um amor, uma dor, uma vitória, uma lembrança que não quer se
perder. Outros fazem pela moda, pelo desejo de pertencer a um grupo, ou
simplesmente porque acham bonito.
Não é
simples decifrar porque tantos estão se tatuando, querendo estampar no corpo o
que poderia viver só na lembrança. Até que ponto é vaidade, identidade ou
modismo?
Há tatuagens
delicadas, simétricas, localizadas em pontos estrategicamente pensados. Outras
escancaram frases ou símbolos, desenhos cobrindo braços, pernas, peito, costas
e sei lá mais o quê...
O corpo
humano, antes visto como templo sagrado, vai se tornando uma tela de exposição.
Seria para sermos lembrados? Não há beleza em deixar que algumas histórias
permaneçam apenas no silêncio interior? Não estamos perdendo a beleza da
simplicidade da pele nua?
Imagino que
o negócio “tattoos” seja próspero. O público alvo é notadamente a população mais
jovem com seu idealismo, fantasias, sonhos aflorados. Por outro lado, profissionais
da saúde estão cuidando de como remover tatuagens, pois com o amadurecimento
tudo evolui, passa, e os padrões se alteram. E já estão usando para isso várias
técnicas como abrasão, laser e até cirurgias.
Nossa
intenção aqui é apenas abrir janelas de reflexão, sem juízo ou sentença. A
tatuagem, afinal, é decisão íntima, personalíssima, que merece respeito. Pode
ser voz silenciosa a revelar crenças, paixões ou estilos de vida. E assim, como
toda marca que escolhemos carregar, fala de nós – não para todos, mas para quem
souber olhar.
- celsogagliardo.blogspot.com –
- 03 set 2025 -



Comentários