Parabéns, Saul. Essa figuraça...


Parabéns, Saul. Essa figuraça...

                         – Celso Gagliardo –

De uns anos para cá, a vida me presenteou com novos amigos — frutos doces da liberdade conquistada após décadas de compromissos e relógios marcando o compasso do trabalho. Sem as amarras do mundo corporativo, pude enfim respirar o tempo, conhecer melhor as pessoas e, curiosamente, redescobrir a cidade onde vivo: Americana. Aquela que um dia me acolheu, e que por muito tempo foi apenas cidade-dormitório.

Foi entre cafés e boas conversas no Amorino, no Smart Mall, que conheci melhor o cidadão Saul Camargo Neves — engenheiro civil de formação, mas, na essência, um homem de múltiplas habilidades. Daqueles que afastam o mau humor e as más notícias com bom papo, generosidade e sabedoria.

Certa vez, presenciei uma cena que ficou gravada: Saul estava na carroceria de sua caminhonete, na Avenida Brasil, quando uma senhora se aproximou e perguntou:

— Você é o Saul?

Ele respondeu: — Sou, sim, ele mesmo.

E ela, emocionada: — Posso lhe dar um abraço?

Fiquei ali, observando e refletindo. Havia naquele gesto algo maior que simpatia — talvez carinho, talvez gratidão. Depois ela explicou: era “da família... tal...”.

Saul é assim: presença querida, mais que filho de uma tradicional família que tanto contribuiu para o desenvolvimento de Americana. Ele é “o cara”, como diria Roberto Carlos — e, se o rei canta “eu quero ter um milhão de amigos”, Saul parece já tê-los reunido todos. Gente simples, gente graúda, e até gente famosa, como o ex-craque Rivelino, que tem o privilégio de sua amizade e bem conhece suas habilidades culinárias.

Há pouco tempo esteve dodói. Preocupou-nos, e uma bela corrente de fé e carinho se formou ao seu redor. Felizmente está recuperado — leve, bem-humorado, de volta às rodas de conversa e sempre acompanhado de seu fiel amigo Didi, o terrier que ele tanto enaltece.

É um prazer ouvir suas histórias. Apaixonado chef autodidata, herdou da mãe o talento para transformar ingredientes em memórias. Suas paellas são disputadas, e suas conversas temperadas de boas dicas culinárias. Onde está, brotam receitas, risadas e o calor humano que só ele sabe servir.

Curioso e múltiplo, Saul é também amante da natureza, dos pássaros, dos carros e da velocidade — já foi piloto em Interlagos! Engenheiro de espírito empreendedor, vendeu e fabricou velas em larga escala e criou as churrasqueiras Vulcão, de operação limpa, ideais para áreas gourmet e condomínios.

No ano passado, recebeu da Câmara Municipal de Americana o título de Cidadão Emérito, reconhecimento que o orgulha — não pelo prestígio, mas pelo amor à cidade que o viu nascer e onde vive, intensamente, cada dia.

Neste domingo, 26 de outubro, é seu aniversário. Não poderei abraçá-lo pessoalmente no almoço com os amigos, lá no Santo Antônio do Sapezeiro, mas deixo aqui este registro singelo de amizade e admiração.

Tenho certeza de que falo por todos nós, especialmente pelo grupo do café:  Parabéns, Saul — essa figuraça que a vida nos deu de presente.




Comentários

Anônimo disse…
Memorável!

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