Desafios em RH. Mulheres, casem-se com pedreiros
Desafios
em RH. Mulheres, casem-se com pedreiros
– Celso Gagliardo –
Quem
acompanha minhas reflexões no blog sabe: minha vida sempre esteve entrelaçada à
gestão de Recursos Humanos. Se antes era ação intensa, hoje é mais contemplação
— mas o olhar continua atento.
Vejo
empresários, sobretudo os pequenos, às voltas com a tormenta de recrutar e
reter gente. O mercado anda turbulento, os comportamentos mudaram. Falta mão de
obra. Faltam os artesãos indispensáveis: pedreiros, eletricistas, mecânicos,
encanadores. O lamento é recorrente: “ninguém mais quer aprender esses ofícios,
trabalhos duros, sob o sol; os jovens preferem áreas leves, liberdade maior.”
Outro
dia, o presidente afirmou que “se o patrão não contrata é porque paga pouco”.
Mas o raciocínio não se sustenta: os pisos e benefícios seguem balizados por
convenções coletivas. O problema é mais profundo.
Cada
vez mais percebo uma nova concepção do trabalho. Nossa geração foi moldada para
a ocupação regular, fidelidade ao empregador, disciplina ao professor. Agora,
sobretudo após a Pandemia, muitos querem o lar como escritório, sem chefe por
perto, sem relógio de ponto.
O
trabalho deixou de ser apenas sustento: tornou-se busca de sentido e felicidade.
A geração atual aprende rápido, tem acesso fácil à informação, e calcula melhor
o valor de suas horas. Muitos preferem a informalidade, o “bico”, mesmo com a
insegurança que traz.
Há
quem troque a carteira assinada pelo prazer de fazer o que gosta. Mas também há
os nem-nem: não estudam, não trabalham. Há os que rejeitam turnos e fins de
semana. Há os que se acomodam em bolsas-auxílio, pedindo até para trabalhar sem
registro. Outros se arriscam como motoboys ou motoristas de aplicativo, em
troca de autonomia e flexibilidade.
Empresários
coçam a cabeça: negócios não crescem por falta de gente. Prestadores de serviço
recusam convites, incapazes de manter auxiliares.
Um
analista de gestão brincou: logo pedreiro será profissão de luxo. Porque não
haverá mais pedreiros. E sugeriu às mulheres que se casem com eles — afinal,
constroem a própria casa, compram moto ou carro, fazem seu pé de meia. Enquanto
muitos diplomados estacionam nos três ou quatro mil por mês.
Vivemos
um paradoxo: desemprego real e, ao mesmo tempo, feirões de vagas, faixas nas
empresas e até panfletos nos postes. Um apagão de mão de obra, sobretudo nos
serviços e no comércio. Para onde isso nos levará? Não sei. Aprendi que o mundo
se adapta entre dores e amores. Como dizia o saudoso acadêmico Cleyton de
Oliveira: “o que não tem solução, solucionado está.”
– Profissional de RH e Gestão.
Jornalista -
21 dez 2025
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