Salto alto no futebol. Tia Leila dá lições de Liderança

 

     


          

Salto alto no futebol:

Tia Leila dá lições de Liderança

                                                                  – Celso Gagliardo –

Amigos adoram me cutucar com temas para transformar em crônica. E eu gosto — provocações assim fertilizam a escrita. Desta vez, o amigo Alexandre Scaramuzzi veio com um pedido direto: falar sobre liderança. Simples, não fosse o complemento: liderança ao estilo Leila Pereira. Para um corinthiano convicto, seria quase heresia. Mas não: bons exemplos atravessam fronteiras e camisas.

Acompanho Leila há anos. A empresa do marido, a Crefisa — que ela ajudou a expandir com pulso firme e visão rara — já apoiava o Palmeiras. Depois, ela mesma se lançou à presidência do clube, levando consigo aquele misto de ousadia e serenidade que só os líderes verdadeiros carregam.

Eleita, impôs presença num ambiente historicamente masculino, temperado por vaidades e sombras. E ali, no coração do futebol, mostrou sua marca: determinação, coragem e planejamento. Não é à toa que o clube, dono do segundo maior orçamento do país, vive fase de estabilidade, pagamentos em dia e títulos como quem colhe o que planta.

Leila trouxe para o Palmeiras sua vasta experiência empresarial e, com isso, uma liderança que se destaca tanto nos dias luminosos quanto nas situações delicadas. O próprio técnico Abel Ferreira — vencedor, intenso e às vezes contestado — reconheceu: “Sou sortudo por ter uma líder como a Leila.”

Antes de chegar ao topo do futebol, essa carioca formada em Jornalismo e Direito já havia impulsionado a Crefisa e a Faculdade das Américas (FAM), construindo um patrimônio sólido e se tornando a quarta mulher mais rica do país. Ainda criou a Placar, companhia aérea para transportar o elenco palmeirense pelos céus do Brasil.

Seu jeito é sereno. Fala mansa, postura firme. Nos tênis e mesmo com saltos altos e modelitos discretos, cruza vestiários e gramados, encara negociações com gigantes da TV, lida com estrelas temperadas, treinador genioso, patrocinadores exigentes e torcidas organizadas. Transita por todos os ambientes sem perder o equilíbrio — e isso, convenhamos, é um belo espetáculo de ver.

Há algo encantador em uma mulher caminhando pelo gramado, integrando setores, alinhando objetivos, chamando a atenção de grandalhões quando necessário. Lidera sem medo, sem se curvar a pressões. Faltam líderes assim no Brasil e no mundo — líderes inteiros, de competência e caráter. Como lembra o antropólogo prof. Luiz Marins, empresas têm a obrigação de formar pessoas que unam gestão, moral, ética e voz verdadeira.

Leila é a única mulher à frente de um grande clube do país. Simboliza força, representatividade e um tipo de elegância que inspira. Foi convidada pela Fifa para compor uma comissão estratégica e atua para liderar a construção de uma liga única no futebol brasileiro.

Não foge de polêmicas. Opina, enfrenta, sustenta o que pensa. Entrega-se integralmente aos negócios e ao futebol — escolha de vida. Não é unanimidade, como ninguém que lidera com intensidade o é. Mas, em cinco anos, acumulou acertos que ajudaram a sustentar e modernizar o Palmeiras.

Só não permanecerá no cargo por força do estatuto, que veda nova reeleição. Talvez no futuro ofereça seus pitacos ao clube de coração da família, o Vasco da Gama, para onde já manda olhares gentis.

Se isso será uma infidelidade esportiva? O tempo dirá. Por ora, ela segue desfilando charme e segurança, provando que competência e elegância feminina fizeram — e fazem — muito bem ao clube paulista e ao futebol brasileiro.

                                                                                                      - 08 dez 2025 -

Comentários

Anônimo disse…
Excelente artigo ! Como sempre o Celso sabe como usar a escrita para comentar e destacar algo...
HENRIQUE MARINS disse…
Parabéns pelo artigo! Como sempre o Celso consegue descrever de forma objetiva e inteligente uma situação / ocorrência de destaque...

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