A magia da dança resistindo ao tempo e conectando pessoas


A magia da dança resistindo ao tempo e conectando pessoas

                       - Celso Gagliardo -

A tecnologia tem proporcionado alcances inimagináveis. Quem tem olhos para ver encontra, nas telas, um número imenso de atrações — muitas das quais acabam nos fazendo desperdiçar minutos preciosos da vida.

Mas há também o que vale a pena. Sem esses recursos, não teríamos acesso a certas experiências. Neste 29 de abril, por exemplo, vi numa postagem do músico e cantor Vado Negri a lembrança de que se celebra o Dia Internacional da Dança.

Quem acompanha a Vado Negri e Banda logo entende o motivo da homenagem. Há anos, eles animam um expressivo número de reuniões dançantes pela região. Mantêm agenda cheia, contratados para festas, clubes recreativos, associações e entidades diversas.

Especializaram-se no ritmo dançante. Normalmente apenas três músicos — violão, teclado e sax, às vezes também gaita — executando os mais variados gêneros com arranjos que convidam naturalmente à dança. Sabem escolher repertório, criar harmonia e dar identidade às canções. É bonito observar os casais pelo salão, movendo-se com leveza ao compasso da música que, naquele instante, parece existir não apenas para ser ouvida, mas para despertar o corpo.

Esta crônica registra um fato auspicioso. Vivemos tempos de fechamento de clubes recreativos, por falta de público e interesse. O próprio carnaval de salão vem perdendo espaço há muitos anos. Ainda assim, persiste um nic⁹ho fiel: gente que se arruma, deixa a televisão e o celular de lado, e sai para ouvir boa música e dançar com seu par — dois pra cá, dois pra lá.

Alguns demonstram habilidade. Outros revelam certa hesitação. Mas todos se divertem igualmente, cada qual à sua maneira. As mulheres parecem ainda mais animadas e chegam a dançar entre si, na ausência de um parceiro. Estão ali movidas por algo em comum: o instante de satisfação, o movimento do corpo, o contato humano, as conversas nos intervalos.                                    Até para quem já não dança permanece o prazer de ouvir um som melodioso, capaz de despertar lembranças, acalmar a alma e fazer o coração, silenciosamente, ainda bailar.

Os defensores da dança lembram que ela é atividade física, ferramenta de socialização e alívio do estresse. Melhora a coordenação motora, a postura e a flexibilidade, além de fortalecer a musculatura — especialmente pernas e quadris — proporcionando bem-estar físico e mental.

Gente precisa de gente. E a dança se torna aliada do corpo, que pede movimento - do convívio social e até da união dos casais. Não é difícil imaginar que, nesses encontros, surjam olhares diferentes, capazes de aproximar quem segue só pela vida — seja pelos caminhos que ela impôs, seja pela viuvez.                                                   

Mesmo sem frequentar bailes ou bailinhos que ainda resistem ao tempo, acompanhar o trabalho da banda citada motiva-nos a registrar que ainda existe público interessado nesses pontos de encontro dançantes. Um ambiente saudável, familiar, integrativo, que produz satisfação, convivência, endorfina. A vida agradece.

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