Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro
Dona Zuleika, símbolo de doçura em São Pedro
- Celso Gagliardo -
É comum encontrarmos nas cidades, especialmente nas pequenas e médias, aquela senhora conhecida, fama conquistada pelas mãos habilidosas na preparação de doces, bolos, tortas, mousses.
Na bucólica cidade de São Pedro, quase ao pé da Serra do Itaqueri e suas cachoeiras, há também uma história assim, com sabor bem peculiar. Ela é vivida por dona Zuleika Coletta Caserta, sobrenome herdado do saudoso esposo, antigo investigador de polícia da cidade.
Dona Zuleika sempre teve facilidade para fazer bolos e doces, pesquisando receitas e entregando tudo com capricho. Corria o ano de 1983. Ela conta que o começo não foi fácil: comprava aos poucos os ingredientes no mercado, chegando a emprestar panelas e geladeira.
Essas mãos, aliada à disposição e vontade de trabalhar, foram decisivas para o crescimento do negócio. Os doces e bolos foram ganhando fama, cada vez mais procurados, e ela foi se estruturando no antigo imóvel em frente à praça central da cidade, a Gustavo Teixeira.
Importante destacar o apoio das três filhas, que logo passaram a participar da “arte”, ajudando a consolidar um negócio familiar. Dona Zuleika costuma dizer que o segredo sempre foi fazer tudo com amor, utilizando ingredientes de primeira qualidade e mantendo o padrão ao longo do tempo. Criou doces e bolos que até hoje são requisitados, como o Rigoletto – generoso em chocolate, e declarado patrimônio cultural de São Pedro.
O sucesso levou à expansão para Águas de São Pedro e Piracicaba, com lojas abastecidas pela produção da confeitaria central. Hoje, os estabelecimentos estão sob comando de filhas e genros, ainda com a mentoria de dona Zuleika que, afinal, nunca parou.
Assim, dona Zuleika foi conduzindo sua vida com dedicação, adoçando caminhos. Talvez nem imagine quantos “parabéns a você” já foram entoados à frente de seus bolos vistosos e bem recheados, ou quantas festas ganharam um pouco mais de emoção e sabor por suas mãos.
Quem vai a São Pedro – cidade turística – inclui no roteiro uma passada “na Zuleika”. O estabelecimento não é grande, mas tem o calor humano das atendentes, lideradas pela Lu.
Ali, é quase obrigatório contemplar o balcão refrigerado com doces e bolos em exposição, preparando as papilas gustativas...O café é gourmet, quase sempre um complemento.
Nas paredes, alusões à fundadora e sua história, inclusive um recorte de publicação com o título “Zuleika. Ela existe”. E ela mesmo explica, com bom humor: muita gente pensa que eu não existo. E os que me conhecem ficam espantados porque me imaginavam uma senhora muito gorda”.
Uma mulher com firmeza de propósito. Protagonizou uma história de 43 anos. Mais do que fazer doces, acabou se tornando parte da história de uma cidade.
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