Matando saudades dos barbarenses
●●● Durante a nossa estada em Indaiatuba - final dos anos 80 - matava saudades de Santa Bárbara ouvindo rádio. E registrei o fato à epoca, com esta crônica: Matando saudades dos barbarenses - Celso Gagliardo -
De uns tempos para cá temos acompanhado, com contemplação, a programação matinal e domingueira da rádio FM Municipal, comandada por Márcio Rangel, antigo romiliano de grandes jornadas, nardiniano por pouco tempo, experiente radialista e “leão” veterano, colaborador da imprensa local.
O programa, por si só agradável, traz páginas memoráveis do cancioneiro popular, numa viagem ao passado recente e longínquo, para refrescar a memória de uma população carente de paz, serenidade — exatamente pela convivência numa aldeia global de incertezas e más notícias a “visitar” cotidianamente as salas de visita.
Ao ouvir Sílvio Caldas, Celestino, Noel, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, Miltinho, Altemar Dutra, e tantos outros dessa programação “Matando Saudades”, nos mergulhamos numa boa preparação para a domingueira, preparando o espírito para o aperitivo, almoço ou mesmo churrasco campestre para os mais privilegiados.
Mais recentemente, esse programa chamou-me ainda mais a atenção, eis que Márcio conseguiu reforçar o seu arquivo-memória e trouxe ao microfone outro barbarense conhecido: o Ovaguir Martorini, ex-atleta, desportista participativo, também romiliano antigo. Esse mesmo Ovaguir, aparentemente tímido, mas que no Natal se transforma para alegrar o mundo infantil com a figura plácida de um Papai Noel robusto.
Ambos vêm retratando a sociedade barbarense de uma forma inusitada, não necessariamente pelos cargos que ocupam, pelas roupas que vestem, pelo ambiente que frequentam, ou mesmo pela conta bancária. Estão fazendo desfilar, durante o programa matinal, nomes de barbarenses que ajudaram a construir a cidade.
Assim, a cada domingo, retratam nomes, sobrenomes, relembram famílias por ramos de atuação e outros segmentos. Já falaram dos homens que fizeram e fazem a imprensa de Santa Bárbara, dos médicos de todos os tempos, dos artífices da construção civil, dos antigos moradores da Usina de Cillo (esse recanto histórico abandonado), dos mecânicos de automóvel, num trabalho singular e despretensioso, mas revelador de um reconhecimento, de um culto à memória tão pouco evidenciado neste país.
Oxalá consigam continuar nessa marcha, mostrando a sociedade dessa forma, citando pessoas de todos os níveis, que contribuíram ou ainda contribuem para o crescimento da cidade, para a vida comunitária e de benemerência. É gostoso ouvir essas coisas simples, descomplicadas, num momento em que as cidades — e os meios de comunicação provincianos — ainda estabelecem autocensura, impedindo a citação de nomes por mera injunção política ou segmentação social.
Desta forma, continuaremos a ouvir — aqui da linda Indaiatuba ainda pacata e próspera — esse programa “Matando Saudades”, um misto de nostalgia, romantismo e, agora, cultura popular.
Comentários