UNACON: onde coragem e esperança caminham juntas



UNACON: onde coragem e esperança caminham juntas

                    — Celso Gagliardo

Os menos jovens se recordam do tempo em que a palavra câncer era evitada. Dizia-se “aquela doença”, ou reduzia-se tudo a um discreto “CA”. Hoje, embora o diagnóstico de um tumor maligno ainda assuste, já não carrega, necessariamente, o peso de uma sentença definitiva. Há caminhos, tratamentos e, muitas vezes, bons resultados.

Por morar nas proximidades, chama a atenção o constante movimento de pessoas atendidas pela UNACON, em Americana. A dinâmica é tamanha que até o estacionamento da rua, e o passeio público, ao lado do Hospital, precisaram ser reorganizados. Chegam veículos de diversas cidades, trazendo pessoas em busca de atendimento em oncologia de alta complexidade. São mais de 40 municípios da região de Campinas, pacientes encaminhados via órgão regulador do Estado, o SIRESP.

Ali, encontram tratamento e acolhimento. Cirurgias oncológicas nas áreas de Mastologia, Ginecologia, Urologia e Aparelho Digestivo, além de procedimentos ambulatoriais e suporte diagnóstico. O espaço, dispõe de poltronas para quimioterapia e leitos para infusão. Vinculada ao SUS — Sistema Único de Saúde, com recursos do Ministério da Saúde para custeio, a unidade atende os tipos de câncer mais prevalentes no país, oferecendo cuidado integral: quimioterapia, radioterapia e também cuidados paliativos.

No ano de 2025 foram 27.947 atendimentos. Por mês, são cerca de 700 sessões de tratamento oncológico, quimioterapia infusional, terapias hormonais orais e injetáveis e medicações de suporte para manejo de doença avançada. Uma média de 2.300 atendimentos ambulatoriais, consultas médicas, sessões de tratamento especializado, procedimentos de enfermagem e exames diagnósticos. A gestão é da Secretaria de Saúde e da terceirizada Chavantes, e conta com suporte do Hospital Municipal, que funciona anexo.       

Enfrentar um câncer é, quase sempre, uma travessia compartilhada. O paciente e aqueles que o cercam vivem um tempo de incertezas, em que o emocional se entrelaça às exigências do tratamento. Cada caso tem sua complexidade, mas, em comum, surgem as tensões, as noites mal dormidas e a necessidade de resiliência.

No vai e vem de pessoas que ali chegam é inevitável imaginar as histórias que carregam. As dificuldades de deslocamento, as dores visíveis e invisíveis, as dúvidas e orações silenciosas. Um tempo de enfrentamento que exige coragem física e emocional.

Ainda assim, há algo de profundamente humano naquele espaço: a presença do cuidado. Centros como esse tornam possível o acesso ao tratamento para uma população que, em sua maioria, não teria condições de arcar com os custos da medicina privada.

À medida que a ciência avança — em conhecimento, medicação e tecnologia — diminuem as incertezas e ampliam-se as possibilidades. Mas o impacto emocional permanece, pois a vida, de algum modo, se reorganiza: rotinas se alteram, limites surgem, a autonomia, por vezes, se reduz.

Falar sobre um tema tão sensível é necessário. Muitas vezes nos detemos nas críticas aos serviços públicos e deixamos de reconhecer experiências que fazem diferença na vida de tantas pessoas. Este é um desses casos e merece ser lembrado.

Comentários

Sérgio Zanini disse…
Perfeito! Caro amigo Celso. Uma excelente crônica informativa e que veio valorizar o nosso Centro de Oncologia e a todos que ali desempenham suas nobres funções.

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