UNACON: onde coragem e esperança caminham juntas


UNACON: onde coragem e esperança caminham juntas

Celso Gagliardo

Os mais maduros talvez se recordem de um tempo em que a palavra câncer era evitada. Dizia-se “aquela doença”, ou reduzia-se tudo a um discreto “CA”. Hoje, embora o diagnóstico de um tumor maligno ainda assuste, já não carrega, necessariamente, o peso de uma sentença definitiva. Há caminhos, tratamentos e, muitas vezes, bons resultados.

Por morar nas proximidades, chama a atenção o constante movimento de pessoas atendidas pela UNACON, em Americana. A dinâmica é tamanha que até o estacionamento de uma rua secundária, ao lado do Hospital Municipal, precisou ser reorganizado. Chegam veículos de diversas cidades, trazendo pacientes em busca de atendimento em oncologia de alta complexidade.

Ali, encontram tratamento e acolhimento. Cirurgias oncológicas, atendimentos nas áreas de Mastologia, Ginecologia, Urologia e Aparelho Digestivo, além de procedimentos ambulatoriais e suporte diagnóstico. O espaço, bem estruturado, dispõe de poltronas para quimioterapia e leitos para infusão. Vinculada ao SUS — Sistema Único de Saúde — a unidade atende os tipos de câncer mais prevalentes no país, oferecendo cuidado integral: quimioterapia, radioterapia e também cuidados paliativos.

Enfrentar um câncer é, quase sempre, uma travessia compartilhada. O paciente e aqueles que o cercam vivem um tempo de incertezas, em que o emocional se entrelaça às exigências do tratamento. Cada caso tem sua complexidade, mas, em comum, surgem as tensões, as noites mal dormidas e a necessidade de resiliência.

No vai e vem de pessoas que ali chegam — atentas aos horários, às consultas, aos procedimentos — é inevitável imaginar as histórias que carregam. As dificuldades de deslocamento, as dores visíveis e invisíveis, as orações silenciosas. Um tempo de enfrentamento que exige coragem física e emocional.

Ainda assim, há algo de profundamente humano naquele espaço: a presença do cuidado. Centros como esse tornam possível o acesso ao tratamento para uma população que, em sua maioria, não teria condições de arcar com os custos da medicina privada.

À medida que a ciência avança — em conhecimento, medicação e tecnologia — diminuem as incertezas e ampliam-se as possibilidades. Mas o impacto emocional permanece, pois a vida, de algum modo, se reorganiza: rotinas se alteram, limites surgem, a autonomia, por vezes, se reduz.

Falar sobre um tema tão sensível é necessário. Muitas vezes nos detemos nas críticas aos serviços públicos e deixamos de reconhecer experiências que funcionam e fazem diferença na vida de tantas pessoas. Este é um desses casos — e merece ser lembrado.

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