Entre paisagens e memórias, numa manhã em São Pedro


Entre paisagens e memórias, numa manhã em São Pedro

                - Celso Luís Gagliardo -

Circulando numa manhã gelada por São Pedro, observando ruas, praças, parques, avenidas e equipamentos urbanos, vamos sentindo o pulsar do município. Um pulsar pausado, sereno, distante da agitação das grandes metrópoles.

E como definir São Pedro? Uma cidade de pouco mais de 40 mil habitantes, incrustada sob o encanto do sopé da Serra de Itaqueri, teve suas origens ainda no século XIX, impulsionada pelas fazendas de café e pela imigração italiana.

Inicialmente chamada Fazenda Picadão, a localidade surgiu pelas mãos dos irmãos Teixeira de Barros, adquirentes da Sesmaria dos Pinheiros, sendo elevada à Freguesia em 1864.

A cidade cresceu lentamente e tornou-se acolhedora — mansa em suas ruas tranquilas, impregnando o espaço com a qualidade de vida tão apregoada por aqueles que abandonam a correria dos grandes centros e encontram, nessa pequena-grande cidade, um refúgio de paz.

Cidade pequena no tamanho, mas grande no coração, no território e no orgulho de sua história. Orgulho de ser o berço do poeta parnasiano Gustavo Teixeira, cujo nome permanece vivo na praça e no museu localizados na região central.

Aliás, um centro urbano diferente, de comércio discreto, que acabou migrando para a Rua Valentim Amaral e adjacências.

São Pedro orgulha-se também do clima saudável, dos parques que escancaram a natureza — como o Maria Angélica, com seus pedalinhos — e da beleza da rota cênica do Alto da Serra, a cerca de 950 metros de altitude, de onde, em dias abertos, é possível avistar até Piracicaba.

Ali estão parques, decks com vistas generosas, cachoeiras, voos de asa-delta e parapente. Há também os restaurantes, o seminário ao lado da igreja que guarda uma relíquia de Santo Antônio e o conhecido Parque do Cristo, parada quase obrigatória dos turistas.

Lado oposto da serra, sentido Piracicaba, está plantado o São Pedro Thermas Resort, um dos mais completos parques aquáticos do estado de São Paulo, grande atração do município. E, ainda agora, São Pedro ganhou mais um investimento turístico privado: o Parque Aramat, espaço rural que integra natureza, arte, ecologia, cultura e educação.

É a São Pedro com suas festas populares de julho, realizadas após a data do padroeiro; do Ginásio Bordadão e da rica tradição das bordadeiras de mãos mágicas.

A cidade dos produtos de cama, mesa e banho; dos doces famosos de dona Odila e dona Zuleika; do jaracatiá, fruta típica do cerrado encontrada na região e transformada em doces e compotas saborosas.

Da Feira do Produtor, de enorme sucesso; das rodas de viola que encantam moradores e visitantes; da feirinha de artesanato que colore o centro; do Cine Teatro no Shopping de São Pedro, com seus 260 lugares destinados a filmes, shows e apresentações teatrais.

Foi bom ziguezaguear por São Pedro, revisitando suas fortalezas silenciosas. E o fizemos com olhos apaixonados e a gratidão de um turista atento, que há quinze anos usufrui das benesses da natureza local e do calor humano de um povo acolhedor.

Celso Luís Gagliardo

- Profissional de Recursos Humanos, Gestão. Jornalista.

Do blog celsogagliardo.blogspot.com - 13 mai 2026 -

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