Os novos jovens e um mundo em transformação e

 

Os novos jovens e um mundo em transformação                            - Celso Gagliardo -

Filhos já não querem aprender os ofícios dos pais. As escolas se debatem com um alunado mais autêntico e questionador, quase rebelde em algumas situações. Falta mão de obra para diversos setores da atividade econômica, especialmente aqueles básicos, de menor remuneração e recompensa, que exigem horários especiais ou maior esforço físico.

É fácil criticar a geração de jovens, classificando-a como fraca ou indolente, numa perigosa generalização. Existem jovens talentosos, que aprendem muito rapidamente aquilo que lhes desperta interesse e motivação.

Na verdade, vivemos transformações geracionais impulsionadas pela tecnologia, pelas redes sociais, pelo acesso à informação, pelo aumento da escolaridade, por novas expectativas de qualidade de vida, pelas transformações econômicas, pelos custos de moradia e pela distribuição de renda... e a lista continua.

Um filho que acompanha a luta diária do pai e percebe que, ao final de toda uma vida de trabalho, ele não conseguiu realizar sonhos — como construir a casa própria — naturalmente se pergunta: "Compensa? Vale a pena tanto esforço?" É uma pergunta cada vez mais presente.

Como sempre, há acomodados, oportunistas e aqueles que pretendem viver às custas dos outros, inclusive do Governo, quando programas sociais são desvirtuados de sua verdadeira finalidade. Mas a questão central permanece: estamos diante de uma geração menos disposta ao esforço ou de uma geração que passou a atribuir valor diferente ao trabalho, à família e ao tempo livre?

As mudanças sempre aconteceram. Talvez agora nos impressionem mais pela velocidade com que ocorrem. Em poucas décadas, assistimos a avanços extraordinários. Não nos cabe afirmar se são bons ou ruins; eles simplesmente acontecem. Outras gerações também precisaram adaptar-se à industrialização, à urbanização e, mais recentemente, à revolução digital.

As escolas já começam a rever métodos de ensino, buscando maior participação dos alunos e recursos tecnológicos mais atraentes. No mundo do trabalho, empresas experimentam jornadas flexíveis, trabalho remoto, estruturas menos hierarquizadas e lideranças mais preparadas. Onde for possível, a automação avançará para suprir a escassez de mão de obra. É inexorável que a sociedade se ajuste a esses novos tempos.

Como toda mudança histórica, essa também produzirá ganhos e perdas. O desafio será encontrar equilíbrio entre a legítima busca por qualidade de vida das novas gerações e as necessidades práticas de uma sociedade que continua precisando de escolas, hospitais, serviços, construções e pessoas dispostas a fazê-los funcionar.

- Profissional de Recursos Humanos e Gestão. Jornalista.

Do blog celsogagliardo.blogspot.com     - 30 junho 2026 –

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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