Motorista que dá seta é motorista bom de direção
Motorista que dá seta é motorista bom de direção
· * Celso Gagliardo
Desde os
tempos em que meu tio Carlos Perez me ensinava, ainda menino, os primeiros
movimentos ao volante de seu inseparável Fusca azul, chamava a atenção um
pequeno dispositivo nas laterais do carro. Acionado por uma haste junto ao
volante, ele se projetava para fora da carroceria indicando o lado para o qual
o veículo iria seguir.
Era a velha
seta, hoje substituída pelas luzes indicadoras de direção, mas com a mesma
função: comunicar aos outros motoristas nossa intenção de mudar o rumo do
veículo. Seja para virar, trocar de faixa, ultrapassar, sair de uma vaga,
entrar em um estacionamento ou fazer um retorno, a seta continua sendo uma das
formas mais simples e importantes de comunicação no trânsito.
Seu uso,
além de obrigatório por lei, é um gesto de respeito com quem divide a via
conosco. Afinal, dirigir não é apenas controlar um veículo, mas também informar
aos demais o que pretendemos fazer.
Pode parecer
óbvio para qualquer motorista habilitado. Ainda assim, muitas vezes deixamos de
acionar a seta porque acreditamos que não há ninguém por perto, que a rua está
vazia ou que determinada conversão não oferece riscos.
Mas o
trânsito raramente está completamente sob nosso controle. Um motociclista pode
surgir de repente, um ciclista pode se aproximar ou outro veículo pode estar em
um ponto que não percebemos. Nessas situações, um simples acionamento da seta
faz toda a diferença.
Usá-la é
mais do que cumprir uma regra: é um gesto de gentileza e colaboração. É uma
forma de tornar o trânsito mais previsível e, consequentemente, mais seguro.
Nas grandes
cidades isso fica ainda mais evidente. Para mudar de faixa, por exemplo, quase
sempre é preciso "negociar" um espaço. A seta funciona como um pedido
educado de passagem, e não é raro que um motorista atento reduza a velocidade
para facilitar a manobra.
Confesso que
já fui advertido por deixar de sinalizar uma conversão. O outro motorista tinha
razão. Desde então, passei a criar o hábito de usar a seta sempre, mesmo quando
acredito que não há ninguém por perto. Afinal, alguém mais distante também pode
se beneficiar dessa informação e ajustar sua condução com mais segurança.
Seria bom se
a tecnologia, hoje tão desenvolvida, pudesse criar um sistema capaz de
identificar a intenção de virar à esquerda ou à direita e acionar
automaticamente a seta com a antecedência necessária, da mesma forma que a luz
de freio se acende toda vez que pressionamos o pedal, avisando os demais
motoristas da redução de velocidade.
Pode parecer um detalhe, mas não é. Em um trânsito marcado por tantos acidentes, muitos deles graves, sinalizar corretamente cada mudança de direção é uma atitude simples que salva vidas. A seta é a maneira mais clara de comunicar nossas intenções e de permitir que todos compartilhem a via com mais segurança, respeito e tranquilidade.
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