Piracicaba, cheia de atributos, chega aos 259 anos
Piracicaba,
cheia de atributos, chega aos 259 anos
– Celso
Gagliardo –
Sempre ouvi
dizer, em minha Santa Bárbara, sobre a simpatia nutrida pela vizinha
Piracicaba. Nada contra Americana, filha pujante. Mas há um respeito especial
pela mãe, afinal, nosso território foi desmembrado do município de Piracicaba.
Piracicaba
comemora, neste 1º de agosto, seus 259 anos de fundação. Nasceu impulsionada
inicialmente pela cana-de-açúcar e pelo café. Depois, viveu um longo período de
estagnação, até que a industrialização lhe devolveu o dinamismo e a colocou
novamente no patamar das grandes cidades do Estado.
Santa
Bárbara faz divisa com Piracicaba, ali pelo entroncamento do bairro Caiubi com
o distrito de Tupi, este um “quase barbarense”, na imaginação carinhosa e
poética dos barbarenses.
Sempre
gostei de Piracicaba. Desde criança, acompanhava o futebol do grande XV, o Nhô
Quim, que trazia os grandes times do Estado para jogar no velho Roberto Gomes
Pedrosa. Minha saudosa irmã Célia morou em Piracicaba, onde nasceram três
sobrinhas queridas. E eu também trabalhei na cidade, em duas companhias
tradicionais: a Tatuzinho e o Grupo Dedini. Até hoje mantenho raízes por lá,
escrevendo, há anos, para o jornal Tribuna Piracicabana, que também
comemora, neste 1º de agosto, seus 52 anos de vida e circulação ininterrupta.
Piracicaba,
porém, não é somente o fruto do encantamento e da energia que lhe empresta o
sempre decantado rio que leva seu nome. É um grande município, com 1.378 km² e
cerca de 440 mil habitantes, a 13ª maior população do Estado. Tem um PIB
expressivo, sustentado por um parque fabril que reúne grandes empresas dos
setores de máquinas e veículos pesados, automobilístico e sucroalcooleiro.
A vida
cultural de Piracicaba também é muito rica. Há universidades, pontificando a
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a nossa querida Esalq, que já
ajudou a lapidar tantos cérebros privilegiados. Há festas tradicionais, como a
do Divino, que chega aos 200 anos. E há a Rua do Porto, com seu burburinho,
seus restaurantes e o peixe grelhado, saboreado de frente para o rio — aquele
mesmo rio que, quando transborda, parece anunciar que finalmente chegou a
necessária época das chuvas.
Os
piracicabanos são bairristas, e com razão. Gostam de defender, com orgulho, sua
cidade, seus valores e sua cultura. É a terra da famosa pamonha; de Prudente de
Moraes; de Mazola, De Sordi e Chicão; dos reis do cururu, Parafuso e Pedro
Chiquito; do Zé do Prato, voz marcante dos rodeios; do dialeto caipiracicabano,
tão bem retratado pelo prezado Cecílio Elias Neto, decano do jornalismo e um
dos grandes escritores da cidade.
E é também a
terra de César e Paulinho, que imortalizaram a canção de Newton Almeida Mello:
“Piracicaba
que eu adoro tanto,
cheia de flores, cheia de encanto,
ninguém compreende a grande dor que sente,
um filho ausente a suspirar por ti.”
Talvez seja
justamente isso que explique o encanto de Piracicaba: ela consegue ser, ao
mesmo tempo, grande e acolhedora; industrial e caipira; moderna e profundamente
ligada às suas raízes.
Uma cidade
que tem um rio, uma história, uma cultura própria e, principalmente, gente que
gosta de dizer, com legítimo orgulho: Piracicaba que eu adoro tanto.
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