Eleições à vista: quem vai representar nossa região?

 


Eleições à vista: quem vai representar nossa região?

– Celso Gagliardo –

Aprendi a gostar de política muito cedo, por influência do trabalho que tive, ainda na infância, com jornais. O burburinho das campanhas, as mudanças que surgem como nuvens no céu, as peças que se movimentam como num tabuleiro de xadrez sempre me levaram a acompanhar o jogo político, projetar cenários, prever e estimar acontecimentos.

Essa proximidade e esse gosto pela política, entretanto, nunca foram suficientes para me transformar em político, disputar eleições ou concorrer a algum cargo. Talvez porque a política, ao mesmo tempo em que reúne pessoas movidas pelo espírito público, também atraia outras que enxergam o Poder como objetivo em si e estão dispostas a quase tudo para conquistá-lo ou preservá-lo. A corrupção, infelizmente, continua sendo presença constante no noticiário nacional.

Mas seria injusto colocar todos no mesmo saco. Há políticos sérios, pessoas que enxergam a vida pública como oportunidade de servir. No passado, conheci vereadores que pensavam prioritariamente na comunidade e exerciam o mandato quase como uma missão pública. Hoje, a atividade política ganhou outra dimensão, com estruturas de gabinete, assessores e discussões sobre direitos e benefícios que antes sequer fariam parte do debate.

Nossas ruas já ganham cores, bandeiras e ventarolas. Surgem figuras conhecidas e outras nem tanto. Está em curso a campanha para a eleição de Presidente da República, Governador, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais.

No cenário presidencial, infelizmente, mantém-se a forte polarização entre esquerda e direita. Os candidatos que lideram o debate se atacam mutuamente, cada qual expondo os defeitos e os erros do adversário, enquanto sobra pouco espaço para uma discussão mais profunda sobre planos de governo.

Como reduzir o chamado custo Brasil? Como revitalizar a economia? Como equilibrar as contas públicas, melhorar a Saúde e a Segurança Pública e enfrentar o crime organizado? Essas questões deveriam ocupar maior espaço no debate. Em alguns momentos, parece que o eleitor mais atento terá de escolher aquele que considera possuir o menor número de malfeitos. Dureza!

Confesso que, pela primeira vez, não estou animado para votar. A idade já me libera da obrigação, mas nunca deixei de exercer esse direito — e também dever — por responsabilidade cívica.

Boa parte dos eleitores deverá pautar sua decisão pela linha ideológica do candidato, identificando-se com a esquerda ou com a direita. Por isso, os votos daqueles que ainda não se decidiram poderão ser decisivos numa eleição que promete ser bastante disputada.

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas entra na disputa pela reeleição como favorito neste momento. Deve levar com certa tranquilidade. A oposição aposta em Fernando Haddad, e a disputa pode ganhar intensidade nas próximas semanas.

Para o Senado, São Paulo elegerá dois representantes. Entre os nomes mais conhecidos estão Guilherme Derrite, André do Prado, Marina Silva, Simone Tebet e Ricardo Salles, numa disputa que ainda apresenta grande indefinição.

Mas é quando aproximamos a lente de nossa região que a eleição se torna ainda mais interessante.

Em Americana, para Deputado Estadual, destacam-se Ricardo Molina, do Republicanos, com o recall dos quase 52 mil votos obtidos em 2022, e Franco Sardelli, do PL, filho do atual prefeito, buscando construir sua própria trajetória política. Rafael Macris, do Missão, corre por fora e põe à prova o ainda possível prestígio político de sua família.

Em Santa Bárbara d'Oeste, chama atenção a disputa entre o prestígio do atual Governo Municipal, que apoia Felipe Sanches, do PL, atual vice-prefeito e candidato a Deputado Federal, e o ex-prefeito Dênis Andia, do MDB, que se distanciou politicamente do grupo que hoje administra a cidade.

Andia chega à disputa com o recall dos mais de 75 mil votos obtidos em 2022. Sua campanha é forte e sua trajetória política é conhecida pelos barbarenses. Também haverá candidaturas buscando espaços específicos do eleitorado, como a da vereadora Esther Moraes, do PV, candidata a Deputada Estadual, que deve canalizar votos da esquerda e de evangélicos.

Já em Piracicaba são muitos os candidatos, e existe uma preocupação compreensível: a excessiva distribuição dos votos pode dificultar a eleição de representantes locais. Para Deputado Estadual, Alex Madureira, do PL, e a Professora Bebel, do PT, buscam nova reeleição. Para Deputado Federal, Barjas Negri, do PSD, ex-prefeito e ex-ministro da Saúde, é um dos nomes mais conhecidos. A vereadora Nancy Thame, do PV, também busca uma vaga, dando continuidade à presença política da família iniciada ao lado do saudoso deputado Mendes Thame.

Não é fácil eleger-se. As cidades da região continuam relativamente pouco representadas, enquanto muitos eleitores destinam seus votos a candidatos de outras localidades, por razões diversas.

Os casos de Ricardo Molina e Dênis Andia ajudam a demonstrar isso. Mesmo obtendo votações expressivas em 2022, ambos ficaram na suplência, um para Deputado Estadual e outro para Deputado Federal.

Piracicaba, com seu expressivo colégio eleitoral, não possui atualmente representante na Câmara dos Deputados. Lideranças da comunidade reclamam da baixa representatividade e conclamam os eleitores a prestigiar nomes vinculados às cidades e à região.

E talvez esteja aí uma das reflexões mais importantes desta eleição.

Enquanto a disputa presidencial domina as conversas, os debates e as redes sociais, precisamos também olhar para aquilo que acontece mais perto de nós. Quem levará para São Paulo e Brasília as necessidades de Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Piracicaba e das demais cidades da região?

Não se trata de votar apenas porque o candidato nasceu ou mora perto de nós. Trata-se de conhecer as pessoas, avaliar suas propostas, sua história, sua capacidade e, depois, decidir. A eleição nacional mobiliza paixões. A regional, porém, pode determinar quem terá voz para defender problemas que conhecemos de perto. 

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