Vestidos de noiva. Sonho, frustração e solidariedade


Vestidos de noiva. Sonho, frustração e solidariedade

Para a maioria das pessoas, as comemorações e os atos religiosos do casamento são momentos marcantes de suas vidas.

O vestido de noiva, especialmente, simboliza a passagem para uma nova fase, a celebração do amor e, historicamente, também o status social da família. Sua escolha costuma envolver muita análise, pesquisa e identificação pessoal. E a aparição apoteótica da noiva, envolta em seu vestido, é um momento singular da cerimônia.

Casar-se de vestido de noiva é o sonho de muitas mulheres. Algumas realizam esse desejo mesmo depois de anos de convivência. Outras, por limitações financeiras, acabam se unindo matrimonialmente sem a vestimenta e as comemorações típicas, cada vez mais bonitas, sofisticadas e, também, onerosas.

O noticiário radiofônico trouxe uma situação atípica e frustrante. Uma loja especializada em vestidos e artigos para casamentos, na região de Pinheiros, em São Paulo, fechou as portas e deixou mais de cem noivas em apuros.

Elas já haviam efetuado pagamentos pelos vestidos contratados quando a loja encerrou suas atividades. Posteriormente, a empresa alegou que, diante da alta demanda, havia fechado temporariamente a loja física.

Noivas nervosas se organizaram em grupo, tentando protestar e, principalmente, recuperar aquilo que já haviam pago. Algumas conseguiram retirar modelos disponíveis. Houve até o caso de uma noiva que levou o que encontrou na arara do ateliê.

Evidentemente, o desespero maior era das mulheres cujos casamentos estavam próximos. Afinal, não havia tempo suficiente para os ajustes, quase sempre necessários em um vestido de noiva.

O caso foi parar na polícia e no PROCON, que propôs à lojista um cronograma e uma organização para atender aos compromissos já assumidos.

Mas o lado bonito desse episódio lamentável veio de onde talvez ninguém esperasse: da solidariedade.

Nem mesmo a própria emissora, a BandNews, esperava a reação de vários de seus ouvintes. Pessoas entraram em contato oferecendo seus antigos vestidos de noiva, cuidadosamente guardados, para que pudessem ser emprestados às mulheres que, de repente, se viram sem o vestido tão sonhado. Que gesto bonito!

Alguém se dispondo a ajudar outra pessoa sem conhecê-la, sem esperar nada em troca. Um verdadeiro pronto-socorro para quem, naquele momento, vivia uma mistura de apreensão, frustração e emoção. Talvez seja essa a melhor parte dessa história.

O vestido de noiva, que para tantas mulheres representa um sonho, acabou revelando algo ainda mais bonito: a capacidade que temos de estender a mão a quem nem sequer conhecemos. Em meio a tantas notícias que nos fazem perder a esperança nas pessoas, eis uma história que nos lembra de que a gentileza continua existindo.

E, quando ela aparece, vale a pena contá-la. Por isso escrevi esta crônica: para homenagear não os vestidos, mas as pessoas que, generosamente, se dispuseram a emprestá-los.

Porque, às vezes, solidariedade também se veste de branco.

Celso Luís Gagliardo

- Recursos Humanos, Gestão e Jornalismo –

Do blog celsogagliardo.blogspot.com - 03 09 26 - 

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