Um trabalho silencioso e voluntário: o genuíno CVV

 


Um trabalho silencioso e voluntário: o genuíno CVV 
                                                                                                         - Celso Gagliardo -

Quando consegui sossegar um pouco a correria da vida, passei a dedicar-me ao voluntariado, e procurei o Centro de Valorização da Vida para ser treinado e assim poder avaliar minha condição (ou não) para fazer atendimentos. E deu certo, aprendi muito, favorecendo a relação com os bons valores que devemos ativar na vida. Fiz atendimento por cinco anos.

Mas não me desliguei do CVV. Ainda hoje sou um colaborador próximo, junto à mantenedora – o CVV não tem ajuda governamental para sua manutenção. Aqui nestas linhas, aproveitando o gosto pela escrita, pretendo apenas compartilhar minha experiência e informar - a instituição precisa de mais voluntários para fazer frente à demanda crescente. Às vezes a pessoa precisa aguardar minutos para ser atendida, em fila. E isso gera críticas.

O atendimento mais procurado é pelo telefone – 188 – gratuito, sob sigilo, e durante as 24h, o ano inteiro. O objetivo principal do apoio emocional é a preservação da vida, a prevenção do suicídio, embora haja acolhimento amplo, sem triagem prévia, e assim as pessoas têm liberdade para procurar o serviço independentemente de sua situação emocional. Há também atendimento por chat ou e-mail, com acesso pelo portal www.cvv.org.br .

O objetivo do atendimento é oferecer um espaço seguro de escuta, onde a pessoa possa falar livremente sem ser julgada, corrigida ou conduzida. Muitas vezes quem procura apoio emocional já ouviu “você deveria” das pessoas próximas. O CVV tenta oferecer algo diferente: presença, atenção e validação emocional.

O modelo do CVV se inspira numa tradição de escuta centrada na pessoa — muito influenciada pela abordagem humanista de Carl Rogers — segundo a qual ser ouvido profundamente tem efeito terapêutico importante. Para algumas pessoas isso parece pouco. Para outras, é a primeira vez que conseguem falar sem medo de julgamento.

O CVV acaba ocupando um papel específico: não substituir terapia, amizade, aconselhamento ou emergência médica, mas ser um espaço de escuta emocional imediata e acessível. O seu foco é acolhimento, não direção. A autonomia da pessoa é preservada. Conselhos podem até aumentar culpa ou sensação de inadequação.

O vínculo de escuta reduz o desespero e pode diminuir a sensação de solidão, o impulso e o sentimento de não ser compreendido. Uma escuta ativa — entendendo e respeitando até o silêncio — pode reduzir a intensidade emocional e abrir espaço para a pessoa buscar outras ajudas depois.

O serviço de apoio emocional do CVV é genuíno. Ouvir, simplesmente, pode ser uma forma profunda de cuidado. Até o silêncio comunica. Acolher não é conduzir. E a fala, às vezes, reorganiza a própria vida de quem fala.

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