Apenas uma bola rolando, mas é Copa, gente
Apenas uma bola rolando, mas é Copa, gente
- Celso Gagliardo -
Já não somos mais protagonistas. França, Espanha, Inglaterra e Argentina surgem à nossa frente entre as favoritas. Boa parte de nossos atletas está em outros países, com pouca identificação nacional. Mas, ainda assim, estamos vivendo um tempo de Copa do Mundo de futebol.
Há expectativa, observada pelo agrupamento de pessoas em torno das bancas de jornais, para a troca de figurinhas de um álbum cada vez mais caro. Pelos comentários na mídia tradicional e digital. Pelos campeonatos regionais paralisados para o espetáculo maior acontecer.
Uma competição marcada por inovações: nas regras para reduzir paralisações maliciosas, a tal "cera", e com três países-sede – Estados Unidos, México e Canadá. Até a bola, outrora um pedaço de couro quase artesanal tornou-se tecnológica. Foi projetada cientificamente para aprimorar a precisão dos chutes, traz um chip capaz de "conversar" com o árbitro de video, relevos especiais e um desenho formado por apenas quatro painéis, inspirados nos países-sede.
O que vale é a motivação. Aos poucos os brasileiros vão se envolvendo com a camisa verde-amarela e, mesmo sem a confiança de outros tempos, a torcida comparece, incentivada pela mídia e pela paixão ao futebol. Temos casas, apartamentos e comércio com a bandeira nacional exposta.
Meu saudoso pai dizia que não torcia para um time específico, mas gostava dos jogos da seleção. Assim deve pensar muita gente. Quase tudo para no horário dos jogos. Onde há festa, coloca-se um telão para todos assistirem. Há clubes, bares e restaurantes com programação especial, que esperamos prossiga por vários jogos, quem sabe até a gloriosa final.
Se aqui, no ainda chamado país do futebol, o clima de Copa esquenta em pleno inverno, no mundo não é muito diferente: a organizadora FIFA assegura que, na última final, em 2022, 1,5 bilhão de pessoas pararam tudo o que faziam para ver o jogo, ou seja, quase 20% da população mundial.
A Copa de 2026 será disputada entre quarenta e oito seleções e milhares de câmeras. O árbitro enxergará o jogo com a ajuda de sensores, algoritmos e linhas virtuais. O impedimento será detectado em segundos. A tecnologia reduzirá as dúvidas, mas dificilmente acabará com as discussões. Afinal, o futebol talvez seja o único espetáculo em que a polêmica continua sobrevivendo mesmo depois que a máquina entrega a resposta.
Que essa Copa de tantos e difusos países seja uma confraternização esportiva de alto nível. E que os dirigentes maiores possam refletir que, ali, entre aquelas camisas suadas de cada lado, existem pessoas iguais, irmãos disputando arduamente os jogos, e ainda assim jamais deflagrando guerras. Que essa Copa tecnológica possa nos ensinar simbolicamente, e deixar lições além do futebol – lições de humanidade e paz.
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