Miscelânea depois da decepção com a Seleção
Miscelânea depois da decepção com a Seleção
- Celso Gagliardo -
Escrevo estas mal traçadas linhas logo após a eliminação da Seleção Brasileira diante da Noruega. Perdemos mais uma oportunidade de voltar ao protagonismo do futebol mundial. Fomos superados por uma equipe organizada, mas sem a tradição das grandes potências do esporte. A realidade, gostemos ou não, é que hoje ocupamos apenas um lugar entre as boas seleções, distante daquele domínio que, por décadas, encantou o planeta.
Depositamos esperanças em um treinador multicampeão, imaginando que sua experiência pudesse recolocar o Brasil no caminho das grandes conquistas. Não foi desta vez. Como dizia o saudoso publicitário André Bastelli, resta seguir em frente no velho espírito do "vamo que vamo".
No sábado aconteceu a retomada da tradicional Festa dos Americanos, depois de um período de interrupção provocado pelos acontecimentos que todos conhecemos. O reencontro foi marcado pela confraternização de amigos e familiares, justamente no dia 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos. Música country, o jazz itinerante do Alemão, lanches, bebidas e muitas recordações devolveram vida a uma tradição centenária.
Ficou, porém, uma impressão de participação tímida das lideranças comunitárias e de representantes do poder público. É verdade que alguns prestigiaram o evento, mas a presença institucional ainda esteve aquém da importância da ocasião. Afinal, o Cemitério do Campo, onde repousam cerca de setecentos descendentes, constitui um importante patrimônio histórico e cultural de Santa Bárbara d'Oeste. Prestigiar um evento como esse é também reconhecer e ajudar a preservar essa memória, cuja manutenção depende, em grande parte, dos recursos arrecadados nessas iniciativas.
Ainda sob o impacto da eliminação brasileira, recebo uma ligação do amigo Alexandre, de Campinas. Começamos falando de futebol e, como costuma acontecer, terminamos filosofando sobre a vida. Depois de cobrar um novo encontro em torno de uma boa mesa, ele perguntou:
— Qual é a expectativa de vida do brasileiro?
Respondi que gira em torno de 76 anos.
Veio então outra pergunta:
— Quanto tempo ainda nos resta?
Confesso que ela permaneceu ecoando em minha cabeça. Não sabemos. E talvez justamente por isso não devêssemos adiar aquilo que realmente nos faz felizes. Brinquei dizendo que nossa geração já entrou no terceiro quartil da estatística e que agora nossa missão é superar a média. Rimos bastante. Mas a reflexão permaneceu.
Dias atrás encontrei, nas redes sociais, uma pergunta igualmente provocadora: se você pudesse voltar aos seus dezoito anos, que conselho daria a si mesmo?
Pensei um pouco antes de responder. Talvez dissesse para ter mais coragem, arriscar um pouco mais, sonhar mais alto e não desperdiçar tanto tempo com preocupações que, vistas à distância, revelaram-se menores do que pareciam. É claro que aconselhar depois de tantas décadas é fácil. A juventude convive com incertezas, responsabilidades e limitações que só quem as vive compreende. Ainda assim, vale a reflexão.
Para encerrar esta miscelânea, uma notícia que também desperta certa nostalgia. Alan Jackson, um dos maiores nomes da música country, despediu-se recentemente dos palcos. Muitos lembraram que sua última apresentação no Brasil aconteceu em Americana, em novembro de 2012.
O tempo é implacável. Ele muda seleções de futebol, transforma cidades, encerra carreiras e nos convida, silenciosamente, a rever prioridades. Talvez por isso a pergunta do meu amigo Alexandre faça tanto sentido.
Quanto tempo ainda nos resta?
Ninguém sabe. Mas todos podemos escolher o que fazer com o tempo que ainda temos.
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