Limparianos, do prato à amizade e à solidariedade
- Celso Gagliardo
Santa
Bárbara d’Oeste tem a primazia de manter, há quase 77 anos, um grupo de amigos
que se reúne mensalmente em torno da boa mesa para praticar a amizade,
conversar, jogar conversa fora e até promover alguma ação social.
É o Clube
dos Limparianos, que nasceu em 12 de novembro de 1949. Angolini, colecionador
de histórias, reuniu há pouco um acervo com fotos, notícias e documentos desse
grupo e o doou para o Centro Municipal de Memórias da cidade. Angolini conta –
há vídeo na Internet – como tudo começou. Pessoas amigas, que se reuniam no Clube Barbarense para conversar, jogar cartas e jantar. Bons de garfo.
Conquanto na entidade formal Rotary Club havia protocolo e falas, antes do jantar, no grupo dos "Limpa Pratos" era tudo simples e prático, e se destacavam Djaniro Pedroso, Itagiba Fonseca, José R. Kirche, que acabaram se unindo ao grupo dos "Comilões" liderado por Angelo Giubbina. Dessa forma surgiu o Clube dos
Limparianos, amigos que se reuniam informalmente. A máxima era “falar pouco e limpar o prato”. Quase um
contraponto ao Rotary. O primeiro presidente foi Carlos Moura. Depois vieram Napoleão Materazzo, Arnaldo Boaretto, Alcindo (Espanha) Rodrigues, baluartes do movimento.
Foi um rotariano, dr. Domingos Finamore, quem sugeriu o nome “Limparianos”, junção de limpar – o prato – com o sufixo "rianos", do Rotary - rotarianos.
Os primeiros “Limparianos” jamais imaginariam que a prática se manteria ativa por tantos anos. Ora com mais ou com menos membros, mas unidos por um mesmo ideal: manter acesa a chama da amizade, da solidariedade e da confraternização familiar em datas comemorativas.
Sérgio
Leopoldino Alves sugeriu a instituição de uma “taxa” para fazer caixa e
viabilizar apoios sociais. Nos primórdios dessa associação de amigos
pontificaram nomes como de Xisto Sans, Lázaro (Gaspar) Gonçalves, Hildo Bigoto,
Oswaldo Bonin, Angelo Giubbina e vários outros que bem plantaram a
sementinha, que frutificou.
É
surpreendente a manutenção do grupo, mesmo em tempos de verdadeira revolução no
comportamento e de estranhas relações sociais. A vida se tornou mais solitária, marcada pelo isolamento, com
conexões cada vez mais intensas com a fria tecnologia. Os próprios clubes
recreativos se reduziram ao longo do tempo.
Ao
contrário, os Limparianos de Santa Bárbara mostram que a vida pulsa melhor
quando cultivamos intensamente a prosaica amizade – olho no olho, afeto, abraços, risos, emoções e camisetas personalizadas no peito e coração. Na troca de ideias, flui a solidariedade humana. E, por que não
dizer, tudo regado a uma boa mesa, quer seja no Brasilis, ou na
propriedade de algum membro.
O prato é o
atrativo, chama ao encontro. Mas é a boa energia que nasce dessa convivência
que os estimula à interação continuada. Que as lideranças dos irmãos Fernando e Cesar Cassieri, José Carlos
Covolan, Toninho Tunussi, José Maria Martin e, agora,
desse baluarte J.J. Bellani possam continuar impulsionando o ideal genuíno, verdadeira identidade cultural de Santa Bárbara d’Oeste.

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